Nova ligação entre as avenidas Paulista e Dino Celani fará parte de um novo eixo de mobilidade de Valinhos. Enquanto a torre da antiga Rigesa será preservada como memória de 75 anos de história, cresce a expectativa sobre o futuro parque linear no entorno da lagoa, patrimônio conquistado após histórica mobilização da sociedade civil.
A ligação da Paulista com a Avenida Dino Celani, antiga Imigrantes, faz parte de uma reorganização da mobilidade na região central que ganha ainda mais importância com a chegada do novo sistema ferroviário de passageiros a Valinhos.
O projeto prevê que a nova avenida seja conectada ao futuro viaduto do Bom Retiro, que atravessará a ferrovia. Juntos, os dois projetos deverão formar um novo eixo de circulação e ajudar a preparar a cidade para o movimento gerado pela futura estação ferroviária.
Uma obra antiga que ganhou nova importância
A ligação entre Paulista e Dino Celani é uma reivindicação antiga e seu projeto antecede a implantação do novo sistema ferroviário.
Em 2022, a Prefeitura já havia declarado áreas de utilidade pública para viabilizar a abertura. O processo passou por idas e vindas, até que, em 2025, a administração do prefeito Franklin Duarte retomou a desapropriação.
Em setembro daquele ano, o município anunciou ter obtido judicialmente a posse da área necessária. Segundo a Prefeitura, o terreno foi avaliado pela Justiça em R$ 8,7 milhões.
Com a chegada do projeto ferroviário, entretanto, aquela ligação deixou de representar apenas uma alternativa para desafogar o trânsito.
Ela passa a integrar uma transformação muito maior.
Valinhos volta ao mapa dos trens de passageiros
É importante esclarecer uma diferença: o Trem Intercidades (TIC) expresso fará a ligação Campinas–Jundiaí–São Paulo e não terá parada em Valinhos.
A cidade será atendida pelo Trem Intermetropolitano (TIM), que ligará Campinas a Jundiaí, com estações também em Valinhos, Vinhedo e Louveira.
A previsão atual é que o TIM comece a operar em 2029, fazendo o percurso completo em aproximadamente 33 minutos.
Depois de décadas, Valinhos voltará, portanto, a receber regularmente trens de passageiros.
E a cidade já começa a se preparar para isso.
Além da nova estação, estão previstas três passarelas para pedestres, intervenções nas passagens existentes sob a ferrovia e o novo viaduto do Bom Retiro.
É justamente esse viaduto que deverá encontrar a nova avenida aberta por trás da antiga Rigesa.

Onde havia uma fábrica, nasce um novo caminho
A mudança também transforma uma área profundamente ligada à história de Valinhos.
Durante cerca de 75 anos, a Rigesa ocupou aquele território e fez parte da vida de milhares de trabalhadores e famílias valinhenses. Hoje, grande parte das antigas instalações já desapareceu e a área começa a assumir novas funções.
Onde existia um grande complexo industrial surgem avenida, estacionamento, intervenções de drenagem e saneamento e, no entorno, uma nova estrutura de mobilidade ligada à futura estação ferroviária.
O prefeito Franklin Duarte, que acompanha pessoalmente as definições do projeto, revelou ao Pé de Figo que uma das poucas estruturas remanescentes da antiga fábrica não desaparecerá.
A torre da caixa-d’água da Rigesa será restaurada e mantida no local, transformada em monumento à memória da empresa e de sua importância para a história da cidade.
A nova avenida começa a ganhar forma. Os trilhos também anunciam mudanças. Mas há uma expectativa que ainda permanece às margens da antiga lagoa da Rigesa: conhecer o parque linear que deverá nascer naquele espaço. Depois de uma mobilização histórica que garantiu a preservação da lagoa como patrimônio de Valinhos, a sociedade que lutou para protegê-la agora espera saber como essa conquista será incorporada ao futuro da cidade.

