Dona Lola e seus filhos foram abandonados pelo marido na estação de Valinhos (Foto: arquivo pessoal)

Em nome da família, Ezio Peres conta ao Pé de Figo a impressionante história de sua avó, que agora vira tema de um documentário produzido por uma empresa dos Estados Unidos.

Em outubro de 1969, Dolores Peres Guedes, Dona Lola, hoje com 89 anos de idade, desceu na estação ferroviária de Valinhos com seus oito filhos Hélio, Helena, Ezio, Ezequiel, Edson, Elizabete, Edilson e Eber, e o seu marido, Gaspar Peres Carrilho, que a abandonou, partindo com o trem, enquanto a mulher e as crianças ficavam para trás, acenando e chorando.

Dona Lola ficou parada na plataforma da estação de Valinhos, em choque com o abandono de seu marido que acabara de partir, deixando-a sozinha com oito filhos menores, sem dinheiro, num lugar desconhecido.

Segundo o neto Ezio Peres, sua avó conta que, de repente, apareceu um moço de terno branco, caminhando em sua direção e, ao aproximar-se dela, perguntou se ela precisava de ajuda. Dona Lola respondeu que esperava encontrar a comunidade evangélica a que pertencia.

O homem chamou um táxi, que já aguardava por perto, e, enquanto todos entravam no carro, o “anjo” de terno branco havia desaparecido.

O taxista, por sua vez, saiu em direção à igreja e, ao chegar à porta da comunidade, Dona Lola desceu do táxi, com o filho recém nascido no colo, e pediu às outras crianças que a esperassem no carro. Com espanto, foi recebida por um porteiro que também a olhou com surpresa, pois se tratava de seu irmão, a quem não via há muitos anos. Jamais ela esperava encontrá-lo naquela cidade desconhecida, na noite do seu abandono pelo marido.

Dirigindo-se, então, ao táxi, ela mostrou-lhe os filhos, dizendo que não tinha onde ficar, e acabara de ser deixada pelo marido na estação. Seu irmão pediu ao taxista que os levasse até a sua casa, localizada a dois quarteirões dali.

Ao chegarem na casa, todos entraram na residência que os acolheria, quando se deram conta de uma nova surpresa: ao retornarem para efetuarem o pagamento da corrida, o taxista simplesmente havia sumido, sem que ninguém o conhecesse ou soubesse do seu paradeiro.

Famintos e cansados, depois de uma viagem longa e atribulada, pois o trem havia quebrado em Jundiaí, a mulher e seus oito filhos finalmente se alimentaram com um jantar preparado pela esposa do seu irmão.

O marido foi morar no Paraná e um novo capítulo dessa história foi escrito

Seu Gaspar, marido de Dona Lola e pai das oito crianças, partiu sem que ninguém dele tivesse notícias. Somente, anos mais tarde, quando os filhos já haviam atingido a maioridade, aconteceu um reencontro.

Souberam, então, que o pai, após abandonar a todos na estação, foi morar no Paraná, onde casou-se novamente e teve um filho. Passado algum tempo, a nova esposa, Dona Cida, veio a falecer na região de Irapuru.

Seu Gaspar também faleceu alguns anos depois, quando um dos seus filhos com Dona Lola, Ezequiel, estava por lá na época e deixou para o seu novo irmão o endereço de onde eles moravam em Valinhos, para que ele pudesse encontrá-los quando terminasse o ano escolar.

Dona Lola nem pestanejou, acolheu o irmão de seus filhos, gerado pelo marido que a abandonara. Aqui, colocou-o na escola para terminar os estudos e dele cuidou até o dia em que ele se casou.

Guerreira, Dona Lola seguiu na luta para construir sua grande família, não com oito, mas, agora, nove filhos.

Uma história de vida que vai virar documentário

Após um dos Peres testemunhar a efeméride de Dona Lola na comunidade evangélica da família, o roteiro impressionante da saga de uma mulher e seus filhos repercutiu a ponto de um documentário estar sendo produzido por uma empresa dos Estados Unidos, que está em Valinhos para transformar o relato em filme.

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