Antonio Mamoni era um farmacêutico da pequena Valinhos  dos anos 60, extremamente educado e atencioso, com seu inseparável terno cinza sob o jaleco branco, atrás do balcão da farmácia na Avenida Independência, recebia a todos com enorme gentileza. Tal cuidado com o povo da sua cidade, rendeu-lhe a eleição como vice-prefeito no governo de Jerônino Alves Corrêa.

Este cidadão brasileiro foi detido em 30/10/1975, pelo DOI/CODI/DOPS, temida polícia política do regime militar, como “incurso na Lei de Segurança Nacional, que apurou as atividades subversivas”, pelo simples fato de exercer atividade partidária. Mamoni permaneceu encarcerado até o dia 18/11/1975, “quando foi liberado por ter sido beneficiado em responder o inquérito em liberdade, sob o compromisso de comparecer quinzenalmente” naquele departamento.

Documentos do Arquivo Público do Estado de São Paulo registram a perseguição política

Antonio Mamoni foi obrigado a comparecer a cada 15 dias no DOI/CODI em São Paulo

O processo teve início como Inquérito Policial Militar (IPM) n. 53, de 17/10/1975, no Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DOPS), na cidade de São Paulo. Autuado como Processo n. 3, na 2ª Auditoria da 2ª CJM, São Paulo, em 10 de março de 1976. Seguiu ao Superior Tribunal Militar como Apelação n. 41.593, em 18 de março de 1977, e julgado em 9 de junho de 1978. Arquivado no STM em 14/03/1979.

Os acusados, em número de setenta e seis, foram denunciados em 10 de março de 1976 por “ações subversivas, objetivando a reorganização do Partido Comunista Brasileiro”.

Um cidadão fichado e perserguido pela ditadura pelo “crime” de exercer atividade política
No mesmo inquérito além de Antonio Mamoni, outros setenta e seis ilustres brasileiros foram denunciados pelo direito fundamental e democrático do exercício da atividade política, considerada um “crime” pela ditadura implantada no Brasil em 1964, tais como: Luiz Eduardo Greenhalgh, José Carlos Dias, Iberê Bandeira de Mello, David Capistrano da Costa Filho e Ademir Gebara.

 

Homenagem com nome de escola resgata a honra de um valinhense ilustre

A comunidade valinhense prestou uma justa homenagem ao dar o nome de EMEB Vice-Prefeito Antonio Mamoni à escola localizada no Jardim das Figueiras. Há relatos de outros valinhenses reprimidos pelo regime de exceção que, abalados, não querem nem ouvir falar daquele sombrio período da história brasileira.

EMEB Vice-Prefeito Antonio Mamoni, Jardim das Figueiras, Valinhos

Valinhos terá abraço na escola neste domingo, 31 de março

Através de convocação pelas redes sociais, um grupo de munícipes de Valinhos realizará um ato silencioso em luto pelas vítimas da ditadura militar imposta ao Brasil em 1964 e que durou por longos 21 anos. O evento está marcado para este domingo, 31, às 10h, nas imediações da EMEB Vice-Prefeito Antonio Mamoni, no Jardim das Figueiras.

Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo

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