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Queria começar a minha coluna dessa semana com uma noticia muito boa. Nosso trabalho vem dando resultados. Foi aprovado por unanimidade o Projeto de Lei que apresentamos na reunião da Regulamentação da APA Serra dos Cocais de criação do Pólo de Ecoturismo da Serra dos Cocais. Agora, vai à sanção do Prefeito Orestes, de quem esperamos a aprovação e mais do que isso, diversos instrumentos de apoio e turismo ao ecoturismo em nossa cidade.

Pensou que era só uma noticia boa? Tem mais! Saiu o vídeo que fizemos com produtores da Serra dos Cocais e também com moradores e participantes do Movimento Mobiliza Plano Diretor, em parceria com a TV Movimento. Assistam aqui: O futuro de nossa cidade esta em debate na Revisão do Plano Diretor:

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Mas, vamos lá, hoje aqui na coluna queria contar para vocês que agora temos um produtor que esta produzindo Jambu da Amazônia, bem aqui na divisa Valinhos/Campinas.

Vocês conhecem o Jambu da Amazônia?

O jambu (Spilanthes oleracea) é uma hortaliça de largo consumo no estado do Pará e em toda a região amazônica. Ele faz parte de comidas típicas regionais, como o pato no tucupi e o tacacá. Mas também é utilizado em saladas ou compondo outros pratos.

Mas, recentemente, esta envolvido numa disputa internacional a respeito de sua patente, devido aos seus compostos químicos, entre eles o espilantol, com forte potencial para uso industrial, com indicativo para diversas doenças (uso medicinal) e no desenvolvimento de diversos outros produtos.

A importância do Jambu colocou em questão a soberania de nossa biodiversidade e seu potencial de produção de riqueza. De acordo com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), existem 433 pedidos e concessões de patentes relacionados ao jambu solicitadas não apenas pela autarquia, mas também por outras instituições de patentes pelo mundo, requeridos por centros de pesquisas, empresas e organizações.

O Japão possui 137 solicitações e patentes concedidas referentes à planta, o que equivale a 32,16%. Logo após, os EUA apresentam 102 pedidos e patentes (23.94%), França com 55 (12,91%), Espanha 36 (8,45%) e China 26 (6,10%). O Brasil registra 15 patentes e pedidos que estão sendo analisados relacionados ao jambu, um percentual de 3,52%, atrás da Alemanha com 10 pedidos de patentes (2,35%) e Grã-Bretanha com sete (1,64%).

Agora, aqui na nossa região temos uma propriedade com 5 hectares de plantação de Jambu da Amazônia que desde o inicio de seu manejo já optou por um manejo orgânico, e já ingressou no Grupo Serra dos Cocais da Associação de Agricultura Natural de Campinas e Região (ANC). Nessa propriedade, também será produzido Siriguela, Manga e Abacate como culturas complementares.

A produção de Jambu da Amazônia está sendo desenvolvido pelos pesquisadores independentes Danubio Martins e Igor Belan, que realizaram a adaptação genética para a região e desenvolveram um concentrado para ser usado na indústria farmacêutica e em produtos para sex shop. Esse produto, desenvolvido em parceria com a Unicamp, já é finalista em premiação da Fundação Santander, mostrando que a agricultura orgânica realizada em pequenas e médias propriedades pode e deve estar associada com ciência e tecnologia, agregando conhecimento e valor à produção agrícola.

O Projeto Agroecologia no Circuito das Frutas (ANC/Unisol) está acompanhando esta propriedade e já iniciou com eles a recuperação do lago e também conseguimos junto à Prefeitura Municipal de Campinas o treinamento e a instalação do biodigestor na propriedade, que vai garantir um saneamento rural adequado e de qualidade, preservando nosso solo e lençóis freáticos. Sorte deles que a propriedade esta na divisa, na parte de Campinas, pois se fosse em Valinhos, infelizmente, não teria acesso a esse treinamento e ao biodigestor, já que o saneamento rural não é uma área de interesse da gestão municipal.

Queremos, também em breve desenvolver oficinas e eventos que valorizem o uso do Jambu da Amazônia para uso culinário, como já consolidado na região norte do país.

É isso. Na próxima coluna mais novidades sobre a área rural de nossa região.

Juliano Fujita é Técnico Agropecuário, Coordenador do Projeto Agroecologia no Circuito das Frutas e assessor técnica da UNISOL Brasil e da ANC (Associação de Agricultura Natural de Campinas e Região)

 

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