Rafael Machado da Silva e Rafael Martins ficaram indignados.

Por Marcelo Yoshida

A proprietária da casa alegou que ela não tem preconceito, mas o irmão dela tem, e impediu a efetivação do contrato, mesmo após o casal ter feito o depósito. Caso repercute no Pé de Figo. Veja a troca de mensagens.

 O casal estava procurando uma casa para alugar e, como todo bom valinhense, buscou no grupo do Pé de Figo por indicações. Recebeu uma sugestão de uma conhecida. O casal entrou em contato com a dona da casa e foi fazer uma visitação. Tudo lindo e maravilhoso, uma casa de fundo com entrada independente.

Após algumas trocas de mensagens e a grande expectativa de conseguir, finalmente, um lugar para morar, a resposta foi positiva! Havia, no entanto, uma questão: o casal só poderia mudar na semana seguinte.

Um dos ex-não-moradores da casa propôs o adiantamento de 300 reais para assegurar a reserva da casa. Depósito feito. Meia hora depois a dona da casa manda uma mensagem cancelando a locação. A locadora explicou que ela não tem preconceito, mas o irmão dela TEM.

O que respondemos nessa situação?

Como proceder?

Num primeiro momento é um choque, ou deveria ser. 

O segundo sentimento é de indignação. Deixar de alugar uma casa, quando já havia sido feito um depósito adiantado e, sobretudo, admitindo o preconceito como justificativa da recusa, só pode gerar indignação. 

O terceiro sentimento é de frustração, já que um grande transtorno que havia sido resolvido, um lugar para morar, agora retorna de forma inesperada e com essa característica preconceituosa, homofóbica. 

E como todo bom valinhense, um dos ex-não-moradores da casa postou no Pé de Figo a sua indignação, respeitando a identidade e imagem, tanto da dona da casa, como a do irmão.

A postagem rapidamente viralizou e chegou ao conhecimento dos moradores da casa da frente. Qual foi a mensagem deixada? 

“[…] não aceitei 2 homens morar no fundo de minha casa por motivos que tenho duas meninas e minha mulher fica sozinha não tenho culpa da ignorância de minha irmã não pencar (aqui acho que é pensar) na família”. Difícil entender essa justificativa.

A pessoa acredita que homossexuais são monstros? Que são criminosos? Por que seria inseguro alugar a casa para um casal gay tendo duas filhas e esposa que fica com as filhas sozinha?

Alugar uma casa pode ser um ato trabalhoso para muitas pessoas, mas é de se duvidar que passe na cabeça que qualquer pessoa heterossexual que poderá ter o contrato de aluguel recusado tendo como justificativa a sexualidade. 

E essa é uma preocupação, além de outras, de pessoas que são da comunidade LGBTQIA+. Temos que pensar nessas situações, passar por elas e enfrentar o preconceito, cada vez mais escancarado, dessa nossa cidade. Não podemos e não devemos nos calar!

Esse foi apenas mais um caso dentro de vários que ocorrem diariamente. Denuncie casos! Acolha pessoas da comunidade. LGBTfóbicos não passarão!

Veja a troca de mensagens:




Marcelo Yoshida
Professor de História da rede municipal de Valinhos, fundador e coordenador do Cursinho Popular Contexto, membro da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Valinhos/SP, membro do Espaço Cultural Luis Ferreira.

1 Comentário

  1. Vergonha alheia. Mais um caso explícito ( e divulgado) de preconceito contra aqueles que não se enquadram no modelo “conservador”, discriminatório e absurdo que algumas pessoas , infelizmente, adotam nessa cidade.
    Arrotam soberbamente a defesa da familia, mas ignorantes das leis que regem nosso país ( sim, Valinhos tb está em território Brasileiro…pasmem) desconhecem que casais formados por pessoas do mesmo sexo são considerados também FAMILIA!!!, e como tal, devem receber a proteção do Estado e mais, o respeito de todos nós. Não é favor, é Lei!!!!

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