A pouco mais de um mês da abertura do principal evento turístico de Valinhos, a Festa do Figo e a Expogoiaba, que em 2019 completam 70 e 25 anos respectivamente, informações do Departamento de Agricultura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico apontam que a safra de figo 2018/2019 deve chegar a 3,6 toneladas e movimentar em torno de R$ 9 milhões. A expectativa para a safra de goiaba é de 14 toneladas e R$ 60 milhões de faturamento.

As semanas de baixa temperatura ocorridas na primavera ocasionaram atraso de um mês na safra, segundo Luciana Passos, diretora do Departamento de Agricultura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. O clima tem impacto direto na produção de figo e goiaba de Valinhos. Em 2017, em função da estiagem, houve queda na produção.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Fagnani, o Popó, disse que a Secretaria está acompanhando de perto o desempenho da safra 2018/2019. Segundo ele, a expectativa entre os agricultores é de otimismo, apesar do atraso.

“Muitas famílias valinhenses dependem da produção de figos e goiabas e trabalham intensamente o ano todo para uma boa colheita. Estamos confiantes nos bons resultados”, declarou.

Segundo Pedro Pelegrini, da Associação Agrícola de Valinhos, o atraso na safra, em decorrência das semanas mais frias, já está constatado entre os produtores. “Só iremos ter mesmo uma noção mais clara da safra a partir de janeiro. O figo é uma fruta que sente muito essas alterações. Em relação à goiaba, estamos bastante otimistas sobre a produção e um pouco preocupados com o preço. Mas acredito em uma forte produção nos períodos de janeiro a abril”, disse Pelegrini.

 

Plantação

Atualmente Valinhos possui 300 mil pés de figo e cada planta produz em média 7,5 engradados de 1,6 quilo cada. Possui ainda 100 mil pés de goiaba espalhados em dezenas de propriedades rurais, especialmente na região da Reforma Agrária, Macuco e Capivari. Cada planta produz em média 40 caixas.

O agricultor Chicão Previtale, um dos maiores produtores de figo da cidade, disse que o atraso no início da colheita não deve afetar a safra deste ano. “O forte da safra acontece mesmo a partir de janeiro, já em plena festa do figo”, disse.

Previtale comentou que, além do mercado interno, muito importante para os agricultores da cidade, o mercado externo, especialmente países da Europa, pesa muito na balança. “Em que pese o atraso, sabemos que aproximadamente 40% da nossa safra é exportada”, afirmou.

 

Queda

A safra de figo e goiaba para o período 2017/2018 em Valinhos deve ter uma queda de aproximadamente 5% em relação aos números da atual temporada. A justificativa é a baixa quantidade de chuvas na cidade desde o início deste ano.

A Casa da Agricultura, instituição ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, aponta que dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), indicam 1.308 milímetros de chuvas de janeiro a novembro deste ano em Valinhos, queda de 15% em relação ao mesmo período de 2016, quando choveu 1.552 milímetros de água na cidade. Com poucas chuvas, o figo e a goiaba não crescem tanto quanto poderiam.

No entanto, para o presidente da Associação Agrícola de Valinhos e Região, Pedro Pellegrini, é prematuro falar em queda na safra do figo e da goiaba. “Pode ser que aconteça uma mudança no clima e que beneficie o cultivo das duas frutas. Sol e chuva na medida certa são propícios para o desenvolvimento do figo e da goiaba”, contou.

Segundo Pellegrini, uma das principais preocupações do setor é com as exportações. “O objetivo principal é que consigamos exportar pelo menos 30% da produção. O que está acontecendo é um atraso na colheita. Temos pedidos, mas não estamos conseguindo entregar por enquanto”, explicou.

De acordo com o produtor Gilmar Alves Bernardino, cuja família produz figo e goiaba na região do Macuco e do Morro das Pedras, a queda na produção já era esperada. “Como a chuva não veio como esperávamos e houve frio, a produção do figo acabou atrasando. Estamos com uns quinze dias de atraso. Agora vamos torcer para nos recuperarmos. Em relação à goiaba, nós temos a irrigação artificial, o que não atrapalhou muito na produção. Mas vendemos menos por causa da queda no valor agregado na caixa”, disse.

 

Estimativas de produção da safra de figo e goiaba 2018/2019

FIGO

300.000 plantas

2.253.000 engradados 1,6kg

7,5 engradados/planta

 

GOIABA

100.000 plantas

4.000.000 caixas de 3,5kg

40 caixas/planta

 

Dados estimados pela CATI

Fonte: PMV

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