Universidade pública: um direito de todos?

Por Marcelo Yoshida

Ao perceber que daria aula pela primeira vez para uma turma de ensino médio, meu coração acelerou. Ansiedade veio como uma onda inesperada e me levou para o fundo do mar. A escola era pública, da periferia de Franca, São Paulo. Inocentemente, fui levado a preparar uma aula sobre o ensino superior e universidade, já que ainda estava nela e achava que, de repente, poderia ser do interesse deles, talvez eles estivessem pensando em prestar o famoso vestibular.

Ao chegar na sala de aula, uma turma pequena para os padrões atuais, me apresentei, disse que iria falar sobre o futuro deles, sobre a universidade. Mal consegui terminar a fala e fui interrompido:

– Mas professor, não tenho dinheiro para pagar.

Fiquei em silêncio. Primeiro a surpresa e depois o mal-estar. Segundos depois voltei à minha consciência e disse:

– Tem universidades que são públicas, gratuitas. Elas são as melhores que tem, inclusive tem uma aqui na cidade, a Unesp.

– Mas as pessoas não pagam para estudar lá?

– Não. Eu estudo lá e não pago nada. Inclusive, recebo para estudar.

O espanto da sala me fez pensar que eu não considerei a realidade dos estudantes. Depois disso, em todas as escolas e salas que frequento, falo das universidades públicas. Essas pessoas têm o direito de estar dentro de uma universidade pública, mas muitas delas não sabem disso, muitas delas não consideram essa possibilidade.

Por isso a importância do projeto PL 234/2018 que cria o Cursinho Popular Pré-Vestibular. Por meio desse projeto, pessoas que antes não teriam conhecimento e acesso à universidade, terão oportunidade de conseguir uma vaga, que faço questão de ressaltar, é um direito de todos.

Felizmente as universidades têm tido políticas que equilibram o acesso de determinadas pessoas, mas ainda não é o ideal. Por isso a importância dos cursinhos populares. Há projetos espalhados pelo Brasil todo que, das mais variadas formas, fazem com que haja maior competitividade em relação à prova do vestibular.

É importante ressaltar que estar na universidade é uma chance de mudar de vida. É uma chance de conseguir um emprego melhor remunerado, uma chance de pensar a sociedade de uma forma diferente e, também, de pensar soluções para os problemas que vivemos atualmente. Estar na universidade é transformador.

Se sancionado, o projeto do cursinho popular pré-vestibular pela prefeitura pode fazer com que os habitantes dessa cidade, que pagam seus impostos, que usufruem das políticas públicas da cidade, possam ter uma perspectiva de um futuro melhor para elas e também para a cidade.

Agradeço imensamente todos os vereadores pela aprovação por unanimidade, os elaboradores do projeto, Kiko Beloni e Mônica Morandi, mas especialmente Alécio Cau, do qual tive o privilégio de ser colega de trabalho. Espero, numa mensagem posterior, poder agradecer também ao excelentíssimo prefeito, Orestes Previtale, pela sanção e aplicação do projeto de lei. Significará que ele entendeu a demanda que existe na cidade e importância que a educação tem para todos.

Marcelo Yoshida é professor, formado em Direito pela PUC Campinas, Licenciatura em História pela Unesp de Franca e Mestrado em História pelo ProfHistória Núcleo da Unicamp.

 

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