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Em 2003 a Unilever anunciou a demissão de 150 trabalhadores. Na época, foi lembrado que a empresa recebeu incentivos fiscais e usava água (principal matéria-prima de seus produtos) gratuitamente. A cidade questionou a forma como as demissões estavam ocorrendo, de uma hora para outra, sem garantias e sem negociações.

A Câmara de Vinhedo se posicionou de forma clara, contrária às demissões. Todos os vereadores assinaram uma Moção de Repúdio. O clamor criado funcionou, e das 150 demissões anunciadas, ao final “somente” 45 pessoas foram demitidas. Ainda assim, com uma indenização e garantias de recolocação no mercado de trabalho.

Em 2017, foi bem diferente. Lideranças políticas preferiram trazer temas nacionais, misturar política e religião e desviar o foco de graves problemas que fazem a população de Vinhedo sofrer. Das demissões sem negociação (da maior empresa de bens de consumo do mundo, que recebeu incentivos fiscais e usa água gratuitamente), passando por questões da saúde, até o superfaturamento da merenda.

Alguns disseram que não caberia opinião da Câmara sobre o tema (contraditoriamente fizeram o contrário em 2003, assinando uma moção e votando favorável e que aconteceria o mesmo que Valinhos com a Rigesa/WestRock – a empresa poderia ir para outro local (argumento falso, pois em Valinhos faltou justamente posicionamento do poder público e negociação).

É bom ressaltar que nenhuma pressão da Câmara foi feita nos últimos anos e diversas empresas deixaram Vinhedo, sendo que poucas chegaram para compensar as perdas. Multinacionais bilionárias abandonam um território por conta da guerra fiscal (disputa entre os municípios pela oferta de incentivos) e pela inabilidade do poder público.

Em Vinhedo, falta uma política industrial clara, que garanta os empregos e negocie de forma satisfatória, condições favoráveis para a Unilever e outras companhias, mas também para a cidade e para os trabalhadores. Alguns preferem ver a “banda passar”. O comando da Prefeitura está muito mais empenhado em sair do pântano em que se encontra e tem dificuldade para reagir.

A política industrial do atual governo está ultrapassada e o Distrito Industrial carece de investimentos em infraestrutura. A implantação da rede de água e esgoto caminha a passos de tartaruga e não vemos uma ação mais efetiva para atrair para a cidade novos negócios e empreendimentos, que utilizem tecnologia de ponto e possam gerar emprego, renda e impostos, com capacidade de reverter a atual crise fiscal.

É fundamental que a população acompanhe de perto estas contradições e bravatas para que, no momento certo, saiba identificar quem realmente defende os interesses da cidade.

Para ler a Moção apresentada (e aprovada) no ano de 2003 clique aqui 

Para ler a Moção apresentada (e reprovada) no ano de 2017 clique aqui 

 




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