Fui candidato a vereador pela primeira vez quando tinha apenas 19 anos de idade, e nunca tive dúvidas de que as coisas só seriam melhores para a população se ela tivesse consciência política e um mínimo de participação coletiva.

Quando, finalmente, me elegi em 1988, para a legislatura que trataria de elaborar a Lei Orgânica do Município, meu trabalho na Constituinte Municipal foi o de inserir na lei maior de Valinhos inúmeros conselhos populares, apostando numa evolução espetacular do conceito de cidadania. O trabalho de convencimento dos demais vereadores foi facilitado pelo sentimento de civismo que predominava no Brasil, após a campanha das Diretas Já, e da promulgação da Carta Magna, a Constituição Cidadã de 1988.

Em 1996 fui ao clímax do imaginário político diante de um auditório do antigo Cine Saturno lotado para sabatinar os candidatos a prefeito: Vitório, Marcos e Pozzuto. Uma prática abandonada por aqueles que se sentem ameaçados diante de um povo pensante.

Lamentavelmente, hoje, com raríssimas exceções, os Conselhos Populares são meras formalidades e a participação popular é constantemente sabotada como no caso da discussão do Plano Diretor em que as indicações feitas pelas entidades da sociedade civil são simplesmente ignoradas na proposta final, embora majoritárias nas oficinas de consulta popular.

Depois de muito tempo em que a moda era bater no peito e dizer que se odiava a política, hoje evoluímos para o ódio na política em que o objetivo está longe de ser o debate de ideias para avançarmos como nação e todo o esforço vai no sentido de aniquilar o adversário, com verdades ou mentiras, pouco importa.

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