As revelações da 6a Mostra Cultural da E.E. Prof. José Leme do Prado  

Sempre considerei que o Leme do Prado não é uma escola qualquer. Talvez pelo fato de o colégio estar instalado bem no meio da inspiradora Vila Santana, um bairro de Valinhos que nos leva a viajar por um mundo de histórias, cultura, música e tantos carnavais.

Este mesmo sentimento já havia sido reforçado pelas manifestações dos moços e moças que saíram às ruas com o brado Somos Leme do Prado, na luta que derrotou a ameaça do fechamento de escolas proposto pelo governo do estado.

Na manhã do sábado, dia 21 de outubro, avancei pelos portões da escola, abertos aos convidados para a mostra dos trabalhos realizados durante o ano letivo.

Após fazer um passeio pela sala de artes e conferir os interessantes trabalhos de ciências, fui convidado a presenciar uma reunião simulada do Conselho de Segurança da ONU, em que os alunos, representando os países membros, debateriam os embargos à Coréia do Norte.

O Leme do Prado, com 50 anos de existência, participa há mais de uma década do projeto MiniOnu, organizado pelo Departamento de Relações Internacionais da PUC de Minas Gerais.

Foto: João Vitor Besson

No “Conselho de Segurança”, alunos e professores, frente a frente, perfilados nas cadeiras da sala de aula, reproduzem os debates diplomáticos e as artimanhas e contradições dos países que controlam as decisões na garantia da paz na Terra (ou seria a guerra?).

Combate ao preconceito

Embalado pelo entusiasmo dos estudantes, já me preparava para encerrar a visita, quando uma aluna vem ao meu encontro e pede para que eu vá até a sala em que seria apresentado um vídeo feito pelos alunos como tarefa da matéria de filosofia.

Na tela, o depoimento de pessoas vítimas das variações de uma chaga da sociedade em que vivemos: o preconceito!

A denúncia dolorosa da violência inacreditável que coloca o Brasil como o país que mais mata LGBTs no mundo, um morto a cada vinte e cinco horas.

A ditadura do padrão de beleza, o preconceito contra os gordos e a disseminação das práticas de intolerância por aqueles que simplesmente não conseguem assimilar as diferenças, que, no fundo, são as maiores riquezas da raça humana.

Foi uma manhã de sábado e tanto em que, mais uma vez, os jovens estudantes revelam a importância do ensino público de qualidade a fomentar o debate das questões sociais.

Obrigado Leme do Prado.

Fotos da capa: João Vitor Besson

 




1 Comentário

  1. É um prazer trabalhar nessa escola. Alunos dedicados aos estudos, professores comprometidos com os trabalhos e direção executando seu trabalho com maestria.

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