Por João Bissoto

Não consigo pensar em um assunto melhor para iniciarmos uma coluna de saúde na nossa região do que abordar uma epidemia tão importante. Mas antes, vamos às apresentações. Meu nome é João Bissoto, sou valinhense, médico generalista formado pela Universidade Federal de São Paulo e especialista em Acupuntura Médica pela mesma instituição onde hoje sou também preceptor da residência médica de acupuntura. Retornei para Valinhos ano passado para abrir meu consultório e participar ativamente da construção de um lugar melhor. Sou parte de uma ONG onde dou aulas de biologia para alunos da escola pública que buscam uma vaga na universidade e agora, com a ajuda desse portal, estou iniciando essa coluna para educação em saúde.

Esse ano estamos vivendo uma epidemia de Dengue importantíssima, os dados sugerem um aumento de mais de 400% do número de casos comparando com anos anteriores. Não poderíamos abordar esse tema, sem propor uma relação causal. Tivemos recentemente dois desastres ambientais criminosos, por falta de investimento e manutenção de estruturas de mineração. O mais recente, há quatro meses. O desbalanço do ecossistema causado pela avalanche de lama e poluição dos rios impede o controle natural da população de mosquitos e destrói as matas que são suas casas, o que os faz migrar para regiões mais urbanas. Tivemos um surto de Febre Amarela depois do primeiro caso e, agora, um surto gigante de Dengue e Chikungunya.

Na nossa região a Dengue é de longe a doença transmitida por mosquitos mais importante e por isso, assumimos que os pacientes que se apresentam com sintomas típicos tenham a doença. Se você foi ao pronto-socorro com febre e dor no corpo, já é provável que tenha sido orientado da possibilidade de ser Dengue.

Mais provável ainda se você apresentou dor atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele e náusea. O tratamento dessas doenças é semelhante, realizamos uma quantidade enorme de soro na veia e coletamos um hemograma para avaliar a possibilidade de hemorragia.

O exame que confirma se é ou não Dengue só pode ser coletado no sexto dia de sintomas, o que nos faz tratar na suspeita da doença. É importante salientar que os anti-inflamatórios não são indicados para tratar as dores e aumentam o risco de hemorragias, por isso é importante buscar um profissional de saúde.

O acompanhamento de casos de Dengue sem gravidade deve ser feito nas UBSs o que evita a superlotação de prontos-socorros, que ficam reservados aos casos com redução de plaquetas no hemograma e sangramentos.

João Bissoto é médico acupunturiatra formado pela UNIFESP, atua como plantonista em hospitais da região e em consultório próprio. Se você tem dúvidas ou sugestão de temas para a coluna, entre em contato pelo e-mail joaobissoto@gmail.com.

 

 

Deixe um comentário

Por favor, digite seu comentário.
Por favor, digite seu nome