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No início dos anos 90, Valinhos era governada pelo Prefeito Dr. Moysés Abujadi. Ele fora eleito em 1992 como sucessor do seu padrinho, Marcos José da Silva, que na ocasião gozava de alta popularidade.

No mesmo ano fui reeleito vereador e, como já havia acontecido no mandato anterior, de pronto me coloquei na oposição ao governo do primeiro médico a ser eleito prefeito de Valinhos.

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Numa ocasião o prefeito me liga para comunicar que Valinhos estava firmando convênio de “Cidade Irmã” com Havana, a capital cubana, e que uma comitiva valinhense seguiria para aquele país. Dr. Moysés me fez o convite para embarcar com eles na viagem e disse que eu, por ser um vereador de esquerda, não poderia faltar.

Não, eu não fui pra Cuba, pois não considerava ser correto para um vereador de oposição integrar a delegação comandada pelo chefe do executivo.

Algum tempo depois, o prefeito de Havana retribuiu a amizade e visitou a nossa cidade com uma pequena equipe.

Os vereadores receberam o alcalde cubano no gabinete do Presidente da Câmara, Mauro Penido, que lhe deu boas vindas seguidas de uma pergunta constrangedora. “Se o povo  cubano vive tão bem assim, por que é que tem tanta gente querendo fugir de lá?”, disparou Penido.

Calmamente o visitante retribuiu a indelicadeza, explicando que ninguém queria sair do seu país por discordância do regime político, mas pelas dificuldades econômicas decorrentes do bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos.

Entre olhares silenciosos, os demais vereadores engoliram calados a vergonha alheia, até porque o tal convênio não teve grandes realizações a não ser a troca de visitas das caravanas irmãs.

 

 

 

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