A dupla Marcelo e Moreno abriu espaço para o haitiano Guipson Pierre nos bares de Valinhos

O cantor Guipson Pierre, chega a Valinhos, encontra apoio no Projeto Social de ajuda aos haitianos da cidade e estoura no THE VOICE BRASIL 2018.

No dia 20 de junho foi celebrado o Dia Mundial do Refugiado, data que reconhece a coragem das pessoas que são obrigadas a deixar seu país de origem por conta de guerras, perseguições, catástrofes naturais, entre outros motivos, se refugiando em demais territórios em busca de melhores condições de vida.

Em recente edição do Jornal Terceira Visão de Valinhos, foi contada parte da história de Guipson Pierre, 26, refugiado Haitiano que se estabeleceu em Valinhos há pouco mais de uma ano.

Ao chegar em Valinhos, Guipson se instalou na casa de outros amigos haitianos e conheceu César Fernando Braghetto, idealizador de um Projeto Social em prol de ajudar os imigrantes haitianos. César então o encaminhou ao Cartonifício Valinhos, empresa que  o contratou, assim como já havia dado oportunidade para outros haitianos que chegaram antes dele na cidade.

Cesar Fernando Braghetto recebe o haitiano Guipson Pierre no Aeroporto de Viracopos

Nas horas vagas de Guipson, César o ajudava a divulgar seu trabalho como cantor, sempre em meio as apresentações da dupla Marcelo e Moreno, o que lhe deu a oportunidade de aparecer em alguns bares da cidade.

Guipson afirma que cantar era só um hobby, mas que agora sonha em se destacar no meio musical e assim poder viver da música profissionalmente.

“meu sonho era sair do país e fazer faculdade no Canadá, só que o terremoto passou e o plano que eu tinha teve que ser reformulado”

“É totalmente diferente”, diz Guipson sobre a comparação entre Haiti e Brasil

Quando questionado sobre as diferenças entre Haiti e Brasil, Guipson é objetivo: “é totalmente diferente”. Ele ainda fala que o Brasil é um país mais desenvolvido, e que, por isso, as possibilidades são maiores.

Pierre esclarece que não tinha intenção nenhuma de vir para cá, “meu sonho era sair do país e fazer faculdade no Canadá, só que o terremoto passou e o plano que eu tinha teve que ser reformulado”, explica. Ele conta que o Brasil, naquela época (início de 2010), era o país mais fácil e mais simples de conseguir emigrar, e foi a chance que ele e sua família encontraram.

Guipson teve duas opções: adquirir o visto ou entrar no país como refugiado, porém com o visto ele precisaria ficar três meses sem conseguir emprego – o que era inviável, porque entende-se que a pessoa tem condições de se manter. Foi dessa forma que chegou ao Brasil com o título de refugiado, buscando novas perspectivas em melhores circunstâncias.

Há pouco mais de um ano em Valinhos, Guipson passou antes pelos municípios de Joinville e Curitiba, pelo estado de Tocantins, pelo interior de Goiânia e outras localidades do Brasil.

Ele conta que viu em São Paulo uma oportunidade para os músicos mas, dentro das suas condições, acabou se estabelecendo na cidade do figo roxo onde gosta muito de morar.

O refugiado haitiano destaca que as maiores dificuldades foram com a adaptação, aos 21 anos não fazia comida e nem compras, “imagina sair do país, nem sabia a língua portuguesa”, diz.

Grupo de haitianos na aula de português do projeto Portas Abertas da Professora Raquel

Michel Teló e as aulas de Português

O primeiro contato com o idioma foi através de uma música de Michel Teló, e o haitiano participou também das aulas de Português do projeto Portas Abertas, com a professora Raquel Pimentel Cordeiro que aderiu ao projeto social com César Braghetto.

O haitiano também conta que nos dois primeiros anos fora de seu país de origem não conseguiu se adaptar, pois havia outros planos que tiveram que ser alterados pelos rumos tomados, “fisicamente estava aqui, mas emocionalmente estava lá no Haiti”, esclarece.

Choque cultural e preconceito racial

Sobre o maior choque cultural vivenciado por Guipson, ele aponta o preconceito racial, “eu vivi em um país negro, não existe isso de preconceito”, completa. Conta que leu sobre as questões raciais nos livros, e não sabia nem como lidar. “Tem certas pessoas que vão gostar de você independente do que você é, do que você faz, não importa, mas também, independente de qual sacrifício você faça para pelo menos ter respeito dessa pessoa, não vai ter, porque é assim”, completa.

Seu contato com a música nasceu no Haiti. Em 2010, três dias depois do terremoto, Guipson percebeu que a música era a única coisa que fazia sentido para ele, era uma chance de conseguir recomeçar e iniciar uma nova trajetória, “cada vez que eu olhava ao meu redor era fome, miséria, medo…”, comenta.

Foi nesse momento que ele começou a cantar e priorizar a carreira musical. Guipson também é compositor, e aponta que seu foco atual é cantar e escrever. Quando perguntado sobre os projetos futuros na música, Guipson destaca, “focar só naquilo que eu amo, que é a carreira musical”.

O The Voice Brasil 2018

O sucesso do haitiano no The Voice Brasil 2018 foi estrondoso

Apoiado pelos amigos que viram o potencial de seu talento, Guipson se inscreveu no The Voice Brasil 2018 em meio a milhares de candidatos e foi selecionado entre poucos e teve seu sucesso reconhecido  no programa quando Carlinhos Brow virou a cadeira e depois Lulu Santos. Agora está se preparando para as outras fases e com certeza já tem a torcida valinhense dando total apoio.

Contatos para shows

Guipson Pierre já começou a fazer alguns shows em Valinhos e região. Os interessados em conhecer seu trabalho como cantor podem conferir pelas redes sociais, Facebook e Instagram, buscando pelo seu nome.

O haitiano também mantém um canal no Youtube:(Canal no Youtube de Guipson Pierre) com grande parte de suas músicas e videoclipes.

Contatos para shows: (19) 99940-2054 ou pelo WhatsApp.

 

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