Dulce Maria de Paula Souza, Secretária de Desenvolvimento Social e Habitação

No próximo dia 11 de abril, a partir de 14h, Valinhos recebe a psicóloga Karina Sabedot, da Defensoria Pública de Piracicaba, para debater o assunto “moradores em situação de rua”.

A Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Valinhos anunciou na última semana que, no mês de abril, será inaugurado o Centro Especializado de Abordagem Social (Ceas) para atendimento dos moradores de rua. A instituição vai funcionar no prédio do antigo Centro Comunitário do Boa Esperança.

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, as obras do local estão em fase final e ele vai se juntar à Casa de Acolhida Vila Solidária, entidade mantida pela Igreja Católica, com apoio do Município, para atender moradores em situação de rua. A Casa, que ganhou o apelido de “Lugar do Padre”, por ter sido idealizada e gerida pelo padre Dalmírio do Amaral, está funcionando desde o ano passado, mas de forma provisória. No próximo mês ela deve ser formalizada e efetivamente entrar no esquema de acolhimento oferecido pelo Município.

A Secretária Dulce e o psicólogo Alex gravam entrevista para a TV Pé de Figo que vai ao ar nesta semana na VV8TV

Estudo realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social revela que existiam, em fevereiro, 55 pessoas vivendo nas ruas de Valinhos. Esse estudo vem sendo feito desde o começo de 2017, mês a mês, com informações colhidas junto aos moradores abordados, com objetivo de direcionar as ações do Município.

Parte desse grupo é composta pelos chamados “trecheiros”, que são pessoas de outros municípios que costumam andar pela região, de cidade em cidade, fazendo bicos e pedindo dinheiro nas ruas e em cruzamentos viários.

Outra parte é composta por artistas de rua, que retiram a subsistência de atividades como malabarismo nos semáforos em troca de moedas. Por fim, há também as pessoas que saíram de casa por desavenças familiares, problemas com álcool ou drogas ou simplesmente por estarem sem condições de se manter.

De acordo com informações prestadas pela Secretaria de Desenvolvimento Social, para conhecer um pouco melhor essas pessoas e suas reais necessidades, a Prefeitura tem feito ações diárias nas ruas da cidade. Só em fevereiro foram feitos quase 350 atendimentos a esses 55 moradores em situação de rua – uma média de 7 para cada um, sendo que 18 moradores foram encaminhados a pelo menos um tipo de atendimento no Município.

Alex Sandro Dias Marcondes, psicólogo.

“O trabalho de acolhimento, a verdadeira ação social com esses moradores de rua, começa com o que chamamos de uma escuta específica. É nesse momento, da abordagem, que ouvimos quem é essa pessoa, o que ela quer, o que ela espera da vida. Com base nesses relatórios podemos encaminhar esse cidadão para a rede de saúde, para obter um documento pessoal, para a assistência social. Estamos construindo uma perspectiva para a vida dele a partir de seus desejos pessoais”, afirma Alex Sandro Dias Marcondes, profissional que coordena as abordagens e encaminhamentos da Prefeitura nas ruas de Valinhos.

Além da abordagem e do acolhimento nas duas casas, a Prefeitura e a Igreja vão oferecer nos novos espaços condições para que os moradores de rua possam se alimentar, receber atendimento médico e psicossocial e até tomar um banho e descansar. Outro serviço oferecido é o suporte para que eles possam buscar uma recolocação profissional.

“Entendemos que a construção de uma política pública para esse tipo de tema deve ser intersetorial. Não podemos entender que é uma ação exclusiva da Assistência Social. É preciso a integração de outras áreas, como Saúde, Segurança, Educação e Cultura. A parte da secretaria, prevista na Política Nacional, está sendo executado. Vai faltar agora a instalação na cidade de um Centro Pop”, disse Dulce Maria de Paula Souza.

Debate

No próximo dia 11 de abril, a partir de 14h, Valinhos recebe a psicóloga Karina Sabedot, da Defensoria Pública de Piracicaba, para debater o assunto moradores em situação de rua. É o terceiro encontro na cidade desde o ano passado com esse objetivo.

“É muito importante a gente discutir com a sociedade, ouvir o que as pessoas pensam sobre o problema. Eu sei que ele incomoda muita gente, mas a Prefeitura não pode simplesmente virar de costas para o assunto. O debate é esclarecedor. Gostaria de convidar as pessoas a discutirem conosco”, disse Dulce.

Léo Pinho é membro do CNDH – Conselho Nacional de Direitos Humanos

Para Léo Pinho, membro do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, “é muito importante o passo dado pela prefeitura de abrir o Centro Especializado de Abordagem Social (Ceas) em nossa cidade e a formalização da Vila Solidária, dando passos decisivos em um política pública para a população de rua. Mas, como afirmado pela Secretaria a cidade precisa ter um Centro Pop e também instituir a Política Municipal de População de Rua, que não fique restrita a assistência social, mas envolva outras secretarias e inclusive diversos atores da sociedade civil. Saliento também que se faz necessário fortalecer o conselho Municipal de Assistência Social e a formação dos conselheiros, pois políticas públicas eficazes e com controle social se faz com conselhos fortes e participativos” Léo Pinho do Conselho Nacional de Direitos Humanos.

Wellington Strabello é professor, geógrafo e ambientalista

O professor Wellington Strabello destaca a promoção desses debates públicos, mas, segundo ele,  a construção de uma política pública, tão importante, precisa também promover espaços permanentes de debate, elaboração, busca de experiências exitosas em outros municípios e, principalmente, elaboração de diretrizes e planos de ação.

“Nesse sentido, o fortalecimento dessas iniciativas e políticas públicas necessita do Conselho Municipal de Assistência Social, que é o responsável por discutir, estabelecer normas e fiscalizar a prestação de serviços socioassistenciais estatais e não estatais no município. A criação dos conselhos municipais de assistência social está definida na Lei Orgânica da Assistência Social – Lei nº 8.742/1993.”, conclui Strabello.

Fonte: PMV / Pé de Figo

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