O Grito é a obra-prima do pintor norueguês Edvard Munch, pintada em 1893.

Desde os 14 anos de idade, na Escola Senai Roberto Mange, em Campinas, eu tinha a preocupação de tentar convencer os colegas sobre como é importante a participação na política e fui eleito membro do Centro Cívico.

Logo depois, no Colégio Cyro de Barros Resende, em Valinhos, segui com a mania de motivar as pessoas a se interessarem pelas coisas da coletividade e não era tarefa fácil, pois a liberdade de informação naqueles tempos estava submetida aos ditames do regime militar. E lá fui eu assumir a presidência do Grêmio Estudantil.

Em 1976, com 19 anos, fui candidato a vereador pela Arena (pasmem) e tive 488 votos, classificando-me na segunda suplência.

Naquela época todos condenavam o político que não tinha uma ideologia clara e era comum ouvir-se “mas aquele candidato não tem nenhuma ideologia”, ao contrário do que ocorre atualmente em que assumir uma postura definida rende logo uma quase acusação: “mas você é muito ideológico”.

De lá pra cá, enfrentei as características conservadoras da minha terra natal e disputei as eleições de 1982, 1988, 1990, 1992, 1996, 2000, 2004 e 2012. Neste período fui candidato a prefeito, vice-prefeito, deputado estadual e eleito e reeleito vereador do PT.

A minha atuação na Câmara de Vereadores foi carregada de propostas de incentivo à participação popular, o que resultou na inclusão de uma coleção de Conselhos Populares na Lei Orgânica do Município.

Nadava contra a corrente, que empurrava à margem dos acontecimentos aqueles que batiam no peito e diziam, orgulhosos, não querer saber de política, enquanto, silenciosa e sorrateiramente, tantos interesses inconfessáveis do sistema tratavam de naufragar a própria atividade política com a demonização de sua prática e de seus principais instrumentos, os partidos.

Hoje em dia muita gente se manifesta sobre política e o debate virou abate, adversário é inimigo, e as diferenças de ideias não se limitam ao confronto de opiniões, mas na busca da completa aniquilação de quem tem pensamento oposto.

Agora, a participação política despreza a certeza de que as diferenças constituem a nossa maior riqueza para a construção de uma grande nação justa e solidária. E, pior, seguimos no perigoso caminho da notícia falsa, da manipulação, do desrespeito, do assédio psicológico e da naturalização da eliminação física, se for necessária.

No que nos transformamos?

 

 

 

 

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