Maquete de Marcel Pazinatto exposta no Museu Municipal mostra o início da urbanização de Valinhos. Foto: Marcel Pazinatto
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Há algumas semanas, dei início a uma série de textos com reflexões acerca de uma reocupação do centro comercial da cidade de Valinhos, cujo abandono vem sendo alvo cada vez mais frequente de reclamações dos que ali trabalham. Dentro dos textos já escritos, mencionei a importância do papel da Secretaria de Cultura da cidade na reocupação da região central após sua requalificação, mas não cheguei a me aprofundar neste ponto.

Na entrevista que eu dei na sexta-feira, dia 16, na Rádio Valinhos, diversas vezes me referi ao papel das Secretarias de Cultura dentro do contexto social local como uma articuladora e propulsora das mais diversas culturas, e não apenas aquele papel clássico, e, diria eu, ultrapassado, de uma Secretaria que promove eventos.

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O discurso de posse do ex-Ministro Gilberto Gil é tido como um marco na área cultural brasileira como o momento em que se introduz no país o conceito de política cultural (no singular), algo que surgiu na França como resultado de um processo que se iniciou ainda na década de 50. Seguido do discurso, a criação do Sistema Nacional de Cultura buscou disseminar a ideia em todos os entes federativos (estados e municípios), motivados pela promessa de repasse de recursos. Infelizmente o programa proposto foi transfigurado nas seguintes gestões, e, apesar do reconhecido avanço na gestão cultural em muitas regiões, a discussão ainda não avançou o suficiente para atingir todas as Secretarias na quebra do paradigma da relevância social da cultura.

Pensar a cultura em seus aspectos sociológico e antropológico é essencial para atingir resultados mais coesos no desenvolvimento social. Cultura é aquilo que  permite nos entendermos como parte dos diversos grupos sociais aos quais estamos inseridos. Desta forma, temos em nossa cidade espaço para inúmeros grupos culturais, como a cultura clássica europeia, a cultura folclórica italiana, a agricultura familiar, a cultura LGBT (queiram os conservadores ou não), a cultura caipira etc. E estas culturas são resultantes de manifestações espontâneas do nosso modo de vida, e estarão sempre presentes, independente de uma ação de um órgão público. O que talvez nos falte é uma cultura valinhense, algo que  permita nos identificarmos como um grupo social distinto e unido por nossas especificidades.

Ao lado de outros aspectos, como a segurança, o conforto e outros pontos já tratados nos outros textos, a cultura é outro fator importante que faz com que as pessoas se afastem cada vez mais de nosso centro comercial. Os shoppings foram profícuos na tarefa de criar um novo arquétipo cultural que leva as pessoas a descartarem as possibilidades de ocupação dos espaços abertos da cidade. E se é interesse do município que haja uma quebra deste paradigma, para voltar a promover o comércio local e a circulação de pessoas pela cidade, é papel da Secretaria da Cultura pensar em soluções para a redefinição desta cultura.

Fabio Cerqueira é bacharel em Direito e gestor cultural na Unicamp, Diretor da Orquestra Filarmônica de Valinhos e do Instituto PluriCidade.

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