Recentemente um vereador me confessou que Valinhos errou na elaboração do Plano Diretor de 2004, ao permitir a expansão desenfreada dos empreendimentos imobiliários.

Um número absurdo é capaz de tirar o sono de qualquer cidadão responsável se, ao deitarmos para dormir, passar pela nossa cabeça: cerca de dez mil unidades de imóveis  estão vazias na área já urbanizada da cidade.

O tempo passou e a volúpia pelo lucro com loteamentos e condomínios ainda não foi saciada. Segundo relato divulgado recentemente,  100 novos empreendimentos imobiliários foram aprovados nos últimos cinco anos pela Prefeitura de Valinhos.

Teremos nova oportunidade agora com a discussão que está em curso sobre a renovação do Plano Diretor. Que cidade queremos? O que você e eu temos a ver com a água suja nas torneiras desta semana e as enchentes que apavoram no verão? São questões que precisamos encarar de frente para evitar que aquele vereador repita o diagnóstico tardio: erramos!

As audiências públicas realizadas pela empresa GEO Brasilis, contratada pela Prefeitura para encaminhar a elaboração do Plano Diretor, deixam claro que as pessoas presentes sabem bem do que se trata. As sessões efetuadas em oito regiões da cidade são unânimes em apontar: preservação da Serra dos Cocais, contenção da expansão urbana, manutenção da área rural e por aí vai.

Ocorre que há gestores e representantes eleitos para decidir por nós que só pensam naquilo: condomínios e loteamentos. Uns, talvez, de boa fé, entendem que é preciso buscar aumento de arrecadação. Outros, nem tão de boa fé assim e dane-se o interesse público.

Os próximos capítulos serão decisivos. Com o cronograma do Plano Diretor estendido para até o final de abril, a empresa GEO Brasilis e membros do Poder Executivo reservaram o mês de janeiro para a finalização da compilação das informações e revindicações recebidas  da população. Na primeira semana de fevereiro, a proposta técnica já deverá estar pronta para avaliação do CMDU- Conselho Municipal Desenvolvimento Urbano e, depois, segue para a Câmara de Vereadores.

E nós, o que temos a ver com isso? 

 

 

 

 

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