CARL DE SOUZA / AFP

Por Dalmace Capell Neto

Uma possível fusão entre os Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura representa um retrocesso ambiental com consequências econômicas. Os dois Ministérios são de extrema importância para o país e possuem agendas diferentes. A unificação das duas pastas pode ser entendida como uma simplificação perigosa da complexidade dos temas atualmente sob responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente, que possuem interlocução com todos os outros setores da economia brasileira, além da agricultura.

Mesmo que esta possível unificação pudesse trazer oportunidades para o setor do agronegócio, responsável por 23% do PIB brasileiro em 2017, ainda sim, poderia ser recebida de forma negativa pela comunidade internacional, demonstrando um desinteresse do país pelo tema.

Os incentivos econômicos para o desenvolvimento sustentável crescem no mundo. Apenas na agenda climática, desde 2006 o Brasil recebeu USD 850 milhões devido aos compromissos assumidos em Acordos Internacionais (Protocolo de Kyoto e Acordo de Paris que é um compromisso internacional de redução de emissão de gases do efeito estufa assinado por 195 países na COP-21). Segundo estudo da COPPE-UFRJ, o retrocesso ambiental poderia custar até USD 5 trilhões em investimentos diretos que deixariam de ser destinados ao país até 2050.

As eleições acabaram, agora temos que avaliar as atitudes do novo governo sem paixões políticas, aplaudindo bons projetos e refutando retrocessos como a junção destes dois Ministérios essenciais, não só para o Brasil mas para todo o mundo.

A pressão da sociedade foi fundamental para que esta barbaridade não se concretizasse, temos que ficar vigilantes quanto aos próximos passos dentro do Ministério de Meio Ambiente.

Dalmace Capell Neto é ambientalista, diretor da Associação Amigos da Serra dos Cocais e presidente do Clube de Campo Valinhos 

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