O PSOL de Valinhos realizou na tarde do sábado, 16, um ato público na Praça 500 Anos em memória da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados no Rio de Janeiro em março de 2018.

Na ocasião, o Presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, Léo Pinho, entregou ao Presidente do PSOL Valinhos, Eduardo Bonacchela, uma cópia da Nota Pública de Homenagem a Marielle Franco e Anderson Gomes, feita pelo CNDH. (veja a íntegra do documento abaixo).

Para os organizadores do evento, nem a chuva atrapalhou o comparecimento de pessoas interessadas em participar da homenagem, bem como de conhecer melhor a estrutura do partido, as pautas que o PSOL irá defender na cidade, a preparação para as eleições municipais e plano de governo. Alguns dos presentes demonstraram interesse em se filiar ao partido e já ficaram com a ficha de filiação para ser preenchida.

Homenagens e propostas de luta política

O primeiro a se pronunciar foi o Adriano Tonon, recém-filiado do PSOL, que numa fala breve prestou suas homenagens a Marielle Franco,  ressaltando sua luta pelos moradores da periferia. Falou também um pouco deste sentimento de mudança na forma de fazer política que o partido quer trazer para a cidade, com campanhas financeiramente mais enxutas, mas com muito empenho e mão na massa.

Por sua vez, Eduardo Bonachela, presidente do partido em Valinhos, também prestou suas homenagens a Marielle, e destacou a necessidade da união das pessoas para a realização de mudanças na política. Ressaltou a importância para o partido da conquista de mais filiados, “mas que quem não quiser ou não puder se filiar, mas quiser ajudar nas ações, nas atividades, motivando novas pessoas a participarem, toda ajuda é necessária”, concluiu Bonachela.

Também presente no ato, Paulo Búfalo, ex-vereador de Campinas pelo PSOL, falou sobre as bases sobre as quais o partido foi criado, com um grande apreço pela ética política, com pautas sociais de ampliação de direitos, ações afirmativas do Estado em busca da igualdade de oportunidades. Lembrou a trajetória e da coragem de Marielle em lutar por tudo o que ela acreditava, enfrentando pessoas poderosas em nome da justiça social e a luta  pela reforma agrária no acampamento que leva o nome de Marielle Franco em Valinhos, “uma pauta importante não só para a cidade, mas para toda a região, que sofre com o avanço das áreas urbanas sobre as rurais, acabando com as terras para os pequenos produtores poderem subsistir”.

Outras manifestações destacaram  a importância da mobilização das mulheres para buscar seus espaços, não só na política, mas em todos os setores da sociedade. Que as mulheres devem se colocar como protagonistas da própria vida, e se posicionarem a favor da ampliação de seus direitos.

“O assassinato de Marielle foi um ato político e política é a manifestação do PSOL Valinhos”

Indagados pelo Pé de Figo sobre como encaravam as críticas publicadas nas redes sociais insinuando que o partido estaria fazendo política com a morte da vereadora, integrantes do PSOL responderam que “Marielle foi morta porque acreditava que a política partidária era uma ferramenta possível de transformação social. Marielle era filiada ao PSOL, e compartilhava da ideologia do partido, e por ela lutava. Marielle foi morta, mas suas ideias não. Marielle virou semente, e nós do PSOL Valinhos estamos ajudando a semeá-la para colher uma sociedade mais igualitária, mais justa. Criticar o PSOL por dar voz às causas pelas quais Marielle lutava demonstra total desconhecimento sobre quem foi Marielle e sobre o que é política. O assassinato de Marielle foi um ato político, as fake news espalhadas na tentativa de difamá-la foi um ato político, o ódio demonstrado na quebra das placas de seu nome foi um ato político. Mas nada disto foi capaz de impedir que Marielle virasse sinônimo de luta.”

Leo Pinho do CNDH entrega documento a Eduardo Bonachela, presidente do PSOL Valinhos.

CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS

Nota Pública de Homenagem a Marielle Franco e Anderson Gomes

O Conselho Nacional de Direitos Humanos – CNDH, no dia em que se completa um ano do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes e diante da prisão dos suspeitos pela execução do bárbaro crime perpetrado, vem a público manifestar-se a respeito desse tema.

Mais uma vez reiteramos nossa solidariedade aos/às familiares, amigos/as, companheiros/as de militância de Marielle e Anderson, e nosso repúdio à violência que ceifou suas vidas. Lembramos que Marielle expressou – em vida e na própria morte – a luta de mulheres, negras, LGBTIs, pobres e trabalhadoras/es – e que seu assassinato se somou aos milhares que a cada ano sacrificam em especial a juventude negra e pobre das periferias e favelas de nosso País. Tratou-se, ainda, de um crime contra a democracia, uma vez que Marielle possuía mandato de vereadora na Câmara Municipal do município do Rio de Janeiro.

A anunciada prisão dos suspeitos pela execução do crime que abalou o povo brasileiro pode ser uma notícia importante, mas não põe um ponto final na luta que há um ano tem animado milhões de pessoas no Brasil e no mundo, nas ruas e nas redes sociais: quem matou e quem mandou matar Marielle?

Mesmo o ministro que à época comandava a pasta da Segurança Pública, Raul Julgmann, reconheceu que a morte de Marielle estava relacionada a personagens importantes da cena política nacional, e a atuação de Marielle em defesa dos direitos humanos e contra a violência a colocava na mira de interesses poderosos. Por essa razão, não podemos admitir que a investigação sobre os mandantes deste bárbaro assassinato seja arrefecida, em vista da prisão dos suspeitos da execução.

Por outro lado, a investigação sobre o poder das “milícias” é tarefa que se impõe, tanto por sua eventual relação com este crime quanto por outras tantas mortes e violações de direitos humanos que vem ocorrendo nestes últimos anos, e uma Comissão Parlamentar de Inquérito pode ser um bom instrumento para isso.

Diante disso, o CNDH se soma aos/às familiares, amigos/as, companheiros/as de militância de Marielle, na exigência de que se responda a esta pergunta: quem mandou matar Marielle?

O conselho conclama toda a sociedade brasileira a promover e a proteger a atuação dos direitos humanos e aos órgãos do Estado brasileiro a implantarem e fortalecerem os programas e políticas de direitos humanos em homenagem à memória de Marielle Franco e Anderson Gomes e pelo respeito à dignidade da vida e da pessoa humana.

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