Até quando assistiremos de braços cruzados o nosso município se definhando, ano após ano, governo após governo?

O anúncio feito pela empresa WestRock, antiga Rigesa, de que abandonará a fábrica da cidade de Valinhos e transferirá as atividades para uma nova instalação em Porto Feliz/SP, pegou uma boa parte da população de surpresa. Ao todo, serão aproximadamente R$ 5,6 milhões em impostos que a prefeitura deixará de arrecadar, e 470 postos de trabalho que deixarão de existir a partir do segundo trimestre de 2019. Além, obviamente, do impacto no comércio e serviço da cidade que mata um leão por dia na luta pela sobrevivência.

Curiosamente, a baixa na arrecadação municipal será maior do que o valor previsto para o orçamento da Secretaria Municipal do Trabalho para o ano de 2018. Curioso e trágico.

Mas a saída da WestRock não é um movimento isolado, apesar de ser, até o momento, o de maior impacto. É, na verdade, o resultado de anos de uma política que optou por priorizar a disseminação de condomínios em detrimento do avanço da indústria e da proteção ao pequeno agricultor, ao comércio e serviços locais.

Esta opção foi feita há pelo menos treze anos, quando da revisão do Plano Diretor II na cidade, e poderia ter tomado outro rumo na revisão do Plano Diretor III, que está atrasado três anos, quando foi tirado de pauta pela gestão anterior ao perceber a força das associações de defesa do meio-ambiente, que estava provocando barreiras para a expansão das zonas “condominiáveis”.

Quase um mês depois do anúncio feito pela empresa, a atual gestão, o poder legislativo e a sociedade em si ainda não demonstram  preocupação em reverter este quadro. A revisão do Plano Diretor continua esquecida, nenhuma proposta de renovação da legislação sobre o tema foi apresentada, e as manifestações oficiais da administração tratam de se justificar com a alegação de se tratar de uma decisão unilateral da empresa.

Resta saber quantas mais decisões unilaterais acontecerão até que Valinhos passe a se preocupar com a solução dos problemas encontrados pela indústria do município.

Até quando assistiremos de braços cruzados o nosso município se definhando, ano após ano, governo após governo?

 




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