“Eu já sou uma pessoa de 72 anos, completei agora em fevereiro. Meu nome é Dilma. Olha, quando cheguei aqui eu nunca vi tanta sujeira, tanto desprezo nessas casas. Tudo quebrado, não existe vidro, uma porta. Tudo acabado mesmo, as paredes furadas, acabadas, sabe? Muito lixo.  Não tinha uma cabeça de gado, uma galinha, uma horta. Não tinha nada! Ai o povo quer falar que tinha gado aqui? Só se dormia dentro das casas!

Agora, olho pros meus 72 anos e fico pensando, sabe? Porque eu me conservei muito, quando eu casei eu vivia muito bem. Eu casei com um homem que era bêbado mas não me entreguei pra bebida e tive 7 crianças e criei todos os 7. Ia pra roça com a criança na barriga, e do mesmo jeito eu faço, tudo isso aqui foi eu que fiz, essa cerca, olha aí. Depois eu vou plantar e ainda vou trazer uma galinha. Acho que o que me da força e vontade de viver, essa não pode perder, não é?”

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