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Valinhos/SP
sexta-feira, 16/11/2018
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Valinhos mudou muito nas últimas décadas e já há muito tempo deixou de ser uma pequena e pacata cidade do interior paulista. A antiga capital do figo roxo hoje é terra de indústrias, grandes comércios e incontáveis novos bairros. Chegaram condomínios, cinemas, grandes lojas e um shopping. Alguns comércios tradicionais da cidade infelizmente não resistiram a essa nova fase e acabaram fechando, enquanto outros bravamente se adaptaram aos novos tempos e prosperam. Mudou também o Valinhense, afinal junto com prédios e indústrias chegaram pessoas. E como chegaram!Vindas de todo país e de diversos lugares do mundo, vieram atrás de oportunidades de trabalho, das pessoas amadas ou atrás de um recomeço. Juntas, deixam Valinhos mais bela, mais alegre e com uma cara mais multicultural e diversa. A Valinhos das famílias italianas, se junta a Valinhos de Silvas, Souzas, Oliveiras, Ferreiras e tantos outros. Novas pessoas que passam agora a ser parte integrante de histórias e da cultura valinhense. Essas pessoas, aos se juntarem àquelas que estão aqui a mais tempo, dão uma cara nova a Valinhos do século XXI. Mas fica a pergunta: que cara é essa?

É com essa reflexão que nasce o ‘Retratos Valinhenses’, uma viagem através de histórias e pessoas que compõe a nossa cidade. Como funciona? Vamos até a diferentes lugares da cidade ouvir suas histórias e registrar a histórias de diferentes pessoas de Valinhos. Cada uma delas nos fala sobre a relação que tem com a cidade, sobre suas lutas e conquistas pessoais, seus sonhos e conquistas. Enfim, dividem conosco um pouco de suas vidas. Depois esta entrevista vira um depoimento que, acompanhado de um retrato fotográfico, semanalmente será publicado aqui nessa coluna.

As publicações são sobretudo um convite para pensarmos a alteridade, o diferente. Como entender que sem o preto não conheceríamos o branco; sem a tristeza, não saberíamos o que é alegria. Como ver no diferente e no novo uma fonte de riqueza e não algo que gera instabilidade? Como não se fechar em simples e banais estereótipos? Afinal, nem todos que moram em uma favela estão lá por falta de esforço, assim como nem todos que moram em condomínios são burgueses exploradores. Simplificações que apesar de frequentemente sentidas na sociedade, não ajudam em nada o longo e árduo processo de criação de uma identidade abrangente e inclusiva. Acreditamos que a caminhada atrás da resposta ‘Qual a cara desse novo Valinhense?’ seja  de fundamental importância para diminuirmos o vazio de conhecimento que existe pessoas que vivem realidades muito diferentes dentro da pequena Valinhos e nos permitam assim ver além dos estereótipos que nos são montados durante a vida. Buscar essa resposta nos ajuda a diminuir o dominante discurso polarizado, de nós contra eles – paragatas e gravatinhas para os mais antigos – que não vê o mais simples dos aspectos: só existe o nós. Com grandes diferenças, sim, mas com diferenças que nos enriquecem ao invés de nos enfraquecerem. O projeto é um convite para embarcar nessa viagem e se permitir surpreender pelas  histórias de pessoas que não temos tempo de ouvir em nosso corrido cotidiano.

Retratos Valinhenses é uma parceria entre o Portal Pé de Figo e o Projeto Retratos Brasileiros que foi idealizada e organizado pelo Ocupe.Arte: Valinhos.

Criado por Tomás Cajueiro, o projeto Retratos Brasileiros nasceu de uma pergunta, uma pergunta aparentemente simples, mas de resposta tão complexa que nem temos a pretensão de encontrá-la: Quem são os brasileiros? Acreditando que os brasileiros ainda pouco se conhecem, desde 2014 o projeto começou uma jornada pelo país em busca de entender melhor quem é esse povo, o que pensa, quais são suas visões de mundo, padrões éticos, práticas culturais e outros aspectos de sua cultura. Nessa busca já passou por 12 estados, mais de 50 cidades, incontáveis ruas, praças, vilas, comunidades, instituições. Procuramos ouvir todos, sem distinção de gênero, etnia, credo, condição social, fizemos retratos fotográficos das pessoas com quem conversamos e publicamos, retratos e depoimentos, em nossos canais de comunicação. O resultado é a construção de um imenso e fascinante mosaico de histórias e rostos, uma biblioteca virtual que pode ser acessada por qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo no site www.retratosbrasileiros.com.br. A pessoa fotografada ganha uma cópia da foto impressa, que além de ser um pequeno agradecimento pela participação no projeto, busca trazer de volta o costume de imprimir as próprias fotos. Dar uma cópia da foto é, para nós, uma maneira de ajudar quem fotografamos a construir sua própria história, a própria identidade.
“Eu já sou uma pessoa de 72 anos, completei agora em fevereiro. Meu nome é Dilma. Olha, quando cheguei aqui eu nunca vi tanta sujeira, tanto desprezo nessas casas. Tudo quebrado, não existe vidro, uma porta. Tudo acabado mesmo,...