Foto: www.genuinaumbanda.com.br

Por Josué Roupinha Jr.

Como as festividades juninas podem ser um ponto de partida para o reconhecimento da existência das religiões de matriz africana em Valinhos?

Cresci em uma família tradicionalmente católica daqui de Valinhos. Contudo, com o passar do tempo, minha ancestralidade me levou às religiões de matriz africana. Tenho conhecido alguns terreiros de Umbanda e Candomblé no município e, então, me questionado sobre o porquê desses locais não obterem o devido destaque na realização de seus eventos abertos à comunidade, diferentemente das habituais comemorações juninas espalhadas pela cidade.

Dentre as tantas justificativas sobre o “porquê” mencionado acima, há a invisibilização do negro e de sua cultura. Valinhos é uma cidade majoritariamente católica e evangélica, mas não pode continuar ignorando a existência dos tantos filhos de todos os outros santos, os quais também fazem fogueiras não só religiosas, mas também juninas.

Assim como no Natal, esquecemos (e aqui eu me incluo à crítica) do real objetivo das festividades litúrgicas. Junho é mês de homenagem ao importante santo católico São João Batista, reconhecido pela História como um importante precursor de Jesus. Já para os religiosos de matriz africana, em junho há também festividade. À nossa maneira, mas há sim cultos à Xangô, Orixá africano e sincretizado a São João Batista, no Brasil.

Como estreante desta coluna, procurarei dar um novo olhar às religiões de origem africana em Valinhos. E aproveito para questionar a você, leitor: colocando à parte os ritos religiosos, por que não conhecer outras festividades juninas?

Os propósitos são os mesmos: confraternizar, comer milho, pular fogueira e arrecadar fundos para o sustento dos tantos chãos sagrados.

Que São João Batista nos traga boas novas e que Xangô nos dê força para construirmos uma cidade mais humana e igualitária.

Sobre o autor:

“Cresci num lar em que a oração sempre foi “a maior herança deixada pelos seus ancestrais são os estudos e a fé”.

E assim o fiz. Sou Josué Roupinha Jr., jornalista, professor universitário, umbandista e proseador político. Política e religião são trabalho e paixões na minha vida. Meu bisavô veio de Minas Gerais, lá de Ourinhos, e chegou em Valinhos em 1897. Sou da primeira família negra a vir para esta cidade, na qual cresci e moro até hoje. Meu avô, conhecido como “Bié”, trabalhou como oleiro, até conquistar sua primeira Olaria e comprar um sítio, em Valinhos, no qual passou a plantar figo. O “Bié” faleceu cedo e minha avó, Dona Joanna, criou e educou 09 filhos. Sou filho e sobrinho de professores e usufruo da maior herança deixada por eles, que é a Educação.

Josué Roupinha Jr. é jornalista pós-graduado, professor de marketing, umbandista e proseador da política. Sugestões para a coluna, entre em contato pelo e-mail jroupinha1@gmail.com ou pela página no Facebook Josué Roupinha Jr .

 

 

1 Comentário

  1. Parabéns Josué!
    Tenho certeza de que sua matéria “abrirá ” a mente de muitos….nossa religião merece notoriedade nos 4 cantos do mundo.
    Showwwww

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