No último domingo, 27, o presidente da APHV – Associação de Preservação Histórica de Valinhos, Marcel Pazinatto, e o diretor de Meio Ambiente do Instituto PluriCidade, Prof. Wellington Strabello, coletaram amostras de possíveis pegadas de uma onça parda nas imediações da Fazenda Remonta, em Valinhos.

As pegadas foram descobertas por Pazinatto durante uma das caminhadas que ele costuma fazer aos domingos pela cidade e, segundo ele, estavam bem nítidas graças às chuvas que deixaram o solo barrento e as patas do animal foram gravadas em profundidade e depois, com o sol escaldante, endurecidas.

No mesmo dia,  o presidente da APHV voltou ao local e, com a ajuda do géografo Wellington Strabello, executou o delicado trabalho de coleta das amostras, uma ação de pesquisa arqueológica inédita para ele, que está acostumado a lidar com objetos de museu.

Para se ter ideia do tamanho do felino, as patas de um gato doméstico têm em média 3 cm, já as marcas coletadas alcançam cerca de 9 cm, ou seja, três vezes mais.

O material recolhido será encaminhado  para o acervo da APHV e do Conselho do Patrimônio Histórico e pode ser considerado como o primeiro registro de amostras da fauna com estas características, salientando-se que já houve relatos e fotografias de onças na região da Rodovia Dom Pedro.

Cuidados com a segurança das pessoas e dos animais

A aproximação da fauna com as áreas urbanas deve ser tratada com cuidado tanto para segurança das pessoas, quanto dos animais selvagens e a melhor orientação é de que o contato direto seja evitado.

Para o professor Wellington Strabello, “a descoberta das pegadas reforça a necessidade de se adotar medidas eficazes em direção à preservação dos fragmentos naturais no entorno da cidade, inclusive, com medidas de ligação entre os mesmos, por meio de atividades de reflorestamento, ou corredor ecológico. Também suscita o debate sobre o modelo de desenvolvimento urbano para o município, em plena retomada das discussões acerca do novo plano diretor.”

“Queremos uma cidade compacta, inteligente e sustentável, compatível com a preservação dos atributos naturais locais e da região; ou um modelo que reproduza o que tem sido feito até agora, de crescimento desordenado da área urbana, com a consequente redução de importantes áreas verdes e rurais, com o soterramento de nascentes e a impermeabilização do solo?”, argumenta o geógrafo valinhense.

Tamanho das pegadas é três vezes maiores que as de um gato
Pedaço do solo foi extraído pelos pesquisadores e vai para o acervo histórico de Valinhos

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