Por Josué Roupinha Jr.

Nada mudou. A busca por uma só fé, um só poder e o resgate do controle da fé alheia não ficou somente no processo de colonização, de escravidão e de descoberta do Brasil.

A tentativa de catequização dos índios e dos africanos ocorre até hoje, mesmo que seja à força. Mesmo que seja com violência. Madrugada de 25 de setembro de 2017. O terreiro de candomblé da Iyalorixá Rosana dos Santos foi inteiramente queimado. À época, mãe Rosana afirmou, em entrevista ao BuzzFeed News, que não havia nada pior do que saber que seu solo sagrado havia sido incendiado; mas ela foi contundente ao dizer que ergueria novamente seu terreiro. E assim o fez.

Mãe Rosana faz parte de apenas um dos tantos casos de intolerância religiosa que são denunciados ao Disque 100, enquanto o Estado, ironicamente, permanece em silêncio.

Diariamente, nós, adeptos às religiões de matriz africana, sofremos violências – veladas ou não – geradas pelo racismo estrutural presente na sociedade. Líderes, que se dizem religiosos e servos de Deus, utilizam programas de TV, cultos e diversas outras formas para propagar o ódio às nossas crenças. Para além da colonização do Brasil, a busca pelo poder sobre o poder, realizada por muitos enganadores religiosos é tanta que eles usurpam fiéis para nos agredir.

Fiéis que são pais e mães de família, que são cidadãos de bem e que procuram um templo para cultuar e louvar a Deus, mas que, por fim, acabam sendo usurpados por seus líderes.

A fim de reduzir a violência que hoje se faz tão presente, o Brasil precisaria investir tanto na educação quanto nos professores. Ao mesmo tempo, a educação religiosa nas escolas, no trabalho, nas famílias e dentro dos templos religiosos se faz cada vez mais fundamental e necessária.

O Disque 100 não recebe somente denúncias sobre intolerância às religiões de matriz africana, mas recebe, também, queixas de Católicos, Testemunhas de Jeová, Evangélicos…

É exatamente por isso que somente através da educação que conseguiremos “acabar” com essa cultura de extermínio e com o pensamento de que “o meu Deus é o correto; o seu é o demônio”.

Assim como aconteceu com mãe Rosana, muitos terreiros queimados receberam ajuda das mais diversas religiões, visto que este é o comportamento correto e esperado que a sociedade desempenhe. É este valor que deve ser pregado em locais de amor ao próximo, de fé e de caridade.

Que haja conscientização e respeito à fé alheia. E que o Poder Público – uma sugestão à Prefeitura e à Câmara Municipal de Valinhos – promova culturas de paz e crie comissões de trabalho que estejam prontas para atender casos de intolerância religiosa, de violência contra a mulher, de homofobia e de qualquer outra forma de discriminação.

Afinal, como você se sentiria ao ver uma imagem de Jesus Cristo sendo queimada dentro da igreja que você frequenta? Pois é… Já colocaram muitos dos nossos Orixás em chamas, mas nunca, em hipótese alguma, perdemos a fé. Seguimos.

Por fim, que não esperemos mais um terreiro pegar fogo, que mais uma criança sofra no ambiente escolar por usar fios de conta ou que mais um profissional perca seu emprego por causa de sua fé, para que, então, tomemos providência

Josué Roupinha Jr. é jornalista pós-graduado, professor de marketing, umbandista e proseador da política. Sugestões para a coluna, entre em contato pelo e-mail jroupinha1@gmail.com ou pela página no Facebook Josué Roupinha Jr .

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