Rua 07 de Setembro, Valinhos. Imagem: Google Maps

Um dos grandes desafios contemporâneos da ocupação urbana nos centros e regiões mais populosas das cidades é a mobilidade. E neste quesito as cidades brasileiras estão com seus planejamentos muito atrasados com relação às cidades dos países desenvolvidos, que foram capazes de prever o esgotamento de certas políticas de ocupação ainda na década de 1980. Falando em formas de ocupar o centro da cidade, fica latente que é preciso readequar e modernizar a política de mobilidade nesta região, principalmente em relação à disputa por espaço travada entre veículos e pessoas.

Caminhar pelas ruas do centro de Valinhos tem se tornado uma tarefa desafiadora. As calçadas são estreitas e possuem desníveis, degraus e buracos, e ainda as dividimos com postes e caçambas de lixo. Não há prazer nenhum em caminhar no centro da cidade. Só anda por lá quem realmente precisa. Curiosamente, nos comentários de minha última coluna, muitos ressaltaram o “grande problema” da falta de vagas de estacionamento, que seria um grande dificultador da ocupação da população na região. Mas enquanto os andantes são obrigados a caminhar nas péssimas e estreita calçadas, não há sequer uma rua do centro em que não haja prioridade para os carros, a ponto de as já mencionadas caçambas serem colocadas na calçada para não ocuparem vagas de estacionamento. Estamos enchendo o centro da cidade de carros, e quanto maior o espaço destinado aos carros, menos espaço sobra para as pessoas.

Os governantes das cidades que entenderam o problema da mobilidade urbana há décadas solucionaram a questão com medidas que se mostraram eficientes, apesar de impopulares, cujo princípio é o desestímulo ao uso de carros em conjunto com a otimização dos transportes públicos. Atitudes como a destinação de ruas exclusivamente aos pedestres (calçadões), proibição de estacionamento nas vias públicas e a cobrança de valores mais altos em estacionamentos quanto mais próximos do centro são alguns dos exemplos. Muitas cidades restringem a passagem de veículos particulares em todo seu perímetro central, liberando a região apenas para pedestres, ciclistas e veículos de transporte público.

A impopularidade de medidas como as relacionadas acima ficou exposta também nos comentários ao texto anterior: o clamor por mais vagas e valores menores para o estacionamento nas vias públicas do centro. As reclamações neste sentido são tantas que até candidatos mais progressistas prometiam transformar o Largo de São Sebastião, única praça da região, em estacionamento nas últimas eleições municipais. Menos espaço para pessoas.

Acredito que estamos atravessando um momento propício para colocar questões como esta em debate, revertendo um processo lógico que simplifica as questões e propõem pretensas “soluções” que podem até resultar em pequenos avanços a curto prazo, mas que não solucionam o esvaziamento da cidade. Não são os carros que compram no comércio, se utilizam dos serviços e prestigiam as ações culturais, são as pessoas. E pessoas só ocupam lugares nos quais se sintam seguras e confortáveis.

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1 Comentário

  1. Valinhos tem hoje um grave problema de mobilidade e fluxo de automóveis devido a 2 fatores que nenhuma autoridade tem coragem de enfrentar, a saber:
    1. Número excessivo de empreendimentos imobiliários residenciais que prejudicam toda a infraestrutura da cidade
    2. Grande volume de veículos que passam pelas vias da cidade com o único objetivo de evitar os valores criminosos dos pedágios.

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