É verdade, as enchentes são motivadas por fenômenos climáticos, impressionam pela força das chuvas pesadas, se repetem nesta época do ano e, o pior, ultimamente têm se agravado.

A reação da natureza não perdoa a ação irresponsável dos humanos que usam e abusam da terra onde vivem, desrespeitam o meio ambiente e depois ficam em busca dos culpados, ora xingam o prefeito, ora responsabilizam a própria população.

Somos todos vítimas e culpados.

Vítimas da ganância dos que, por serem donos das terras, acreditam que podem fazer tudo de acordo com os seus interesses por lucros, sem considerar o coletivo. E dá-lhe loteamentos e condomínios.

Culpados, pois assistimos, passivamente, o avanço dos empreendimentos imobiliários sem exigir das autoridades os devidos cuidados e planejamento.

São dramáticas as imagens das águas lamacentas invadindo residências e lojas. Causam desespero os veículos boiando nas avenidas.

Embora sejam cenas já conhecidas, neste ano temos a novidade do lamaçal descendo as ruas do bairro do Lenheiro, causada pelo rompimento da barreira de contenção de terra de mais um loteamento de propriedade de uma empresa sediada em Belo Horizonte.

Enquanto isso, segue, num silêncio assustador, o encaminhamento da elaboração do novo Plano Diretor que poderá presentear a cidade com a liberação de mais condomínios na Serra dos Cocais e na Fonte Sônia.

De acordo com estudos feitos pela AEAAV – Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Valinhos, o loteamento da Fonte Sônia, por exemplo, exigirá a movimentação de mais de um milhão de metros cúbicos de terra, o correspondente a duzentos e cinquenta mil caminhões.

Duzentos e cinquenta mil caminhões! Dá pra imaginar o impacto, terra abaixo, na Capuava, CLT e adjacências?

Segundo o professor e geógrafo, Wellington Strabello, “Existe uma forte relação entre as enchentes e o modelo de ocupação do solo. Em Valinhos, nas últimas décadas, esses eventos se tornaram cada vez mais fortes em razão do elevado índice de impermeabilização do solo. Tal processo ocorreu predominantemente pela implantação de loteamentos e condomínios horizontais que propiciaram uma brutal redução de áreas verdes importantes em regiões de cabeceiras. Certamente, ampliar esse modelo em direção à Serra dos Cocais tornará essa realidade ainda mais difícil.”

As chuvas nos deram o recado, cabe assimilar a lição ou continuar a neglicenciar, apontando o dedo uns para os outros.

 

 

 

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