Participantes do encontro

Queria iniciar aqui minha coluna dessa semana, com dois comentários, antes de entrar no tema que irei tratar.

Primeiro sobre um ano de Quarta é Feira, que além de nos trazer semanalmente alimentos saudáveis, também é um local de fortalecimento da agricultura que faz parte da história da nossa cidade. Mas, queria destacar um elemento com vocês. Como a Feira tem se constituído com um local de sociabilidade e de encontro em nossa cidade, vejo sempre entre as bancas, nas mesas do pastel e do churrasquinho, as pessoas se encontrando e conversando.  A Quarta é Feira é um sucesso! Recomenda a leitura da entrevista para o Pé de Figo, do agricultor Weslyn Roberto Scabello – https://pedefigo.com/aniversario-da-quarta-e-feira-o-depoimento-de-um-agricultor/.

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Agora, precisamos avançar! A alimentação escolar de nossa cidade precisa cumprir a lei dos 30% para produtores e produtoras da agricultura familiar e deve privilegiar a regionalidade. Quer dizer, os produtores e produtoras de nossa cidade e da região devem ser priorizados. Até quando vamos priorizar bolachas, sucos em caixinha, em vez, de produtos de nossa agricultura familiar?

Segundo comentário, queria aqui destacar como nosso Prefeito Orestes sabe tudo de “time” (em inglês gente) político. Dia 21 de Setembro em todo o país se celebra o Dia da Árvore, para lembrar e chamar atenção de nossa sociedade, sobre a importância da árvore e da natureza para o nosso bem estar e para o meio ambiente. O que fazer no Dia da Árvore? Para o “time” de nosso Prefeito, é Cortar Árvores. Parece brincadeira, mas não é, o nosso prefeito cortou árvores de décadas e décadas, nativas, no CLT, bem no dia, na semana, que se comemora o Dia da Árvore. Nada, mais simbólico para essa gestão!

Mas, vamos ao que interessa. Queria apresentar a vocês como nossa cidade vem ganhando espaço e sendo valorizado a partir de nosso Projeto Agroecologia no Circuito das Frutas e de suas parcerias, com a ANC (Associação de Agricultura Natural de Campinas e Região), UNISOL Brasil, Pé de Figo, Instituto Pluricidade e com o CEFOL/ Sindicato dos Químicos. No 15 de setembro de 2018, ocorreu no CEFOL – Centro de Formação e Lazer – Valinhos o II Encontro de Lideranças das Cooperativas e Associações da Agricultura Familiar.

Estiveram presentes lideranças cooperativas de Piracicaba, Vale do Ribeira (Miracatu, Sete Barras, Juquia), Araras, Leme, Pirassununga, Promissão, Itatiba, Peruíbe, Monguagua, Praia Grande, Campinas, Valinhos, Hortolândia, Santo André, São Paulo, Amparo, Serra Negra, Pedreira, Americana e Lins.

Essas cooperativas e associações da agricultura familiar produzem uma diversidade de alimentos saudáveis: Cenoura, Beterraba, Repolho, Mandioca, Alface, Rúcula, Chicória, Brócolis, Couve Flor, Cheiro Verde, Espinafre, Acelga, Abobrinha, Couve, Chuchu, Mandioquinha, Pimentão, Cabotiã, Vagem, Alho Poró, Cebola, Palmito, Inhame, Pepino, Tomate; Maracuja, Pitaya, Limão, Laranja, Banana, Goiaba, Morango, Caqui, Mamão, Lixia, Tangerina, Abacate, Carambola, Melão, Coco, Melancia, Mixirica, Graviola, Abacaxi; Mel, Pólon, Geléia Real; Sucos, Doces Variados, Jambu da Amazônia (extrato); Piscicultura; Ovos, Frango Caipira; Cogumelos variados.

Fiquei impressionado com as quantidades produzidas e com a variedade de produção e como os agricultores familiares estão avançando em sua organização, ali tinham cooperativas de primeiro e segundo grau, com larga experiência na comercialização para editais públicos e para supermercados, sacolões, ceasas e lojas do setor privado.

Fico lembrando, das desculpas, dadas aqui na Prefeitura de Valinhos, que não conseguem cumprir os 30% porque não tem cooperativas da agricultura familiar para atender o município. Será que foram atrás? Será que dialogaram com as associações que trabalham com o tema? Acho que não, né. Porque, no Encontro realizado aqui em nossa cidade tinha cooperativas que fornecem para pequenos, médios municípios e até para a cidade de São Paulo. Dá para Fazer é só querer.

Queria encerrar aqui, com uma preocupação marcante durante o Encontro. Como as políticas públicas estão sendo duramente atacadas, o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) quase esta acabando e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), alimentos para a merenda escolar, tem problemas sérios com as prefeituras (vide a nossa de Valinhos), pois elas não cumprem os 30%, e quando fazem editais compram de mega cooperativas (geralmente de longe) e que muitas vezes nem cooperativas reais da agricultura familiar são (vide o escândalo do Governo do Estado da merenda escolar). Todos os presentes ali colocaram a necessidade de retorno dessas políticas públicas e que as prefeituras cumpram os 30% e incentivem a produção local e regional (colocando na lista de compras alimentos produzidos regionalmente).

Esperamos que nossa cidade depois do êxito do Quarta é Feira agora parta para a aquisição de alimentos para a merenda escolar e para outros equipamentos públicos da produção da agricultura familiar de nossa cidade e de nossa região.

Juliano Fujita – Técnico em Agropecuária, Coordenador do Projeto Agroecologia no Circuito das Frutas e assessor técnica da UNISOL Brasil e da ANC (Associação de Agricultura Natural de Campinas e Região)

 

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