Foto: Reprodução EPTV

Valinhos, 24 de janeiro de 2019, um fim de tarde como outro qualquer. A chuva volumosa que se anuncia é a personagem destoante da rotina da cidade e, depois de um dia de trabalho, as pessoas começam a voltar para casa, na expectativa do dia seguinte, a sempre bem-vinda sexta-feira.

De repente, sirenes dos bombeiros ecoam pela cidade e as primeiras imagens começam a se espalhar nas redes sociais da internet e muita gente busca no Pé de Figo as informações para saber o que está ocorrendo afinal.

Fogo intenso e fumaça densa e assustadora sobem aos céus na região da Capuava e as primeiras notícias dão conta de que um raio atingira uma fábrica de produtos químicos para piscinas.

Da curiosidade inicial, o sentimento passa a ser o de preocupação diante da possibilidade de que as nuvens de fumaça sejam tóxicas e se espalham rapidamente pelos céus de Valinhos.

Vídeos, fotos e relatos refletem o que, agora, já tomam contornos de desespero. Ligações telefônicas e mensagens para os familiares são disparadas. Fuga para bairros mais distantes resultam inúteis, pois a neblina ameaçadora sufoca toda a região e, em poucos minutos,  atinge os lados da Via Anhanguera e bairros de cidades vizinhas. A Defesa Civil, Guarda Municipal  e o Corpo de Bombeiros de Valinhos se mobilizam, enquanto a Prefeitura de Vinhedo declara estado de alerta.

Um susto!

Autoridades dizem aguardar os resultados das investigações  para se entender o que causou o incêndio e o laudo da Cetesb sobre uma eventual contaminação do córrego, solo e ar. Bombeiros descartam a versão do raio e indicam que uma reação química dentro da fábrica seria a origem do acidente. Dúvidas sobre a existência de medidas preventivas de segurança  por parte das empresas e a ausência de efetiva fiscalização pela prefeitura povoam os debates nos dias seguintes.

Passiva, a população é frágil e vulnerável diante do desastre. Num instante, árvores, animais, homens e mulheres, crianças e adultos, somos todos vítimas impotentes. Alheios às decisões dos governantes, seguimos acreditando que não temos nada a ver com as discussões das leis ambientais, código de postura, plano diretor.

Inocentes e omissos, talvez seja tarde demais quando uma fumaça tóxica implodir nossos pulmões ou uma nova enchente invadir nossas casas.

Como é tarde demais quando a lama arrasta vidas, vale abaixo, em Brumadinho.

 

 

 

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