Por Professor Wellington Strabello

Chuvas em período de verão é fato esperado, precipitações em grande volume, também. Isso não é novidade para moradores tampouco para a administração pública. Nossa Defesa Civil anualmente se prepara para as ocorrências, aponta áreas de riscos, cria estratégias de socorro. Mas ações paliativas apenas servem para isso: tratam dos efeitos, não chegam ao cerne do problema.

E quem detém o conhecimento do problema então? Resposta simples e fácil: o Poder Público, a administração, agentes públicos da Prefeitura, o chefe do executivo, o Sr. Prefeito e seus Secretários.
Então faremos mais uma pergunta. Porque não existe uma ação mais eficaz para resolver pelo menos grande parte das tragédias que anualmente nossa cidade sofre com as inundações?

Sabemos que, nem o básico do básico, o qual deveria ajudar no escoamento das águas pluviais, é previamente executado, sendo esse o desassoreamento e a limpeza do leito dos rios e córregos, limpeza de bueiros e boca de lobo, limpeza de calçadas e coleta de entulho, retirada de terra e areia acumulada nas ruas. Ações que precisam acontecer nos meses que antecedem o período das chuvas.

Mas vamos falar do que realmente é nosso maior problema: a aprovação desenfreada de construções e empreendimentos imobiliários. Um número absurdo de mais de 100 empreendimentos foi aprovado nos últimos 5 anos. Levando-se em conta que é necessário um período de no mínimo 2 anos para as aprovações legais antes do início da terraplanagem, podemos dizer que Valinhos vive um verdadeiro canteiro de obras, independente de ser em período de chuva ou não os tratores trabalham a todo vapor: movimentando toneladas de terras, abrindo valas, mudando a origem do alinhamento dos terrenos, fechando os olhos para o que existe em sua vizinhança, afinal, para o mercado imobiliário, cada um cuida do que é seu.

Valinhos precisa deste avanço imobiliários de forma predatória e irresponsável? Vamos continuar a aceitar um modelo de urbanização que não contempla a proteção ambiental com qualidade de vida?

Você como morador da cidade vai continuar a se calar e sofrer anos após anos com o prejuízo material, e sim, porque não dizer o emocional, aceitando que o Poder Público siga sendo regido e dominado pelo mercado imobiliário?

Pois saibam que a hora de dizer “não” a esta situação é agora. Nossa cidade está em plena ação de revisão do Plano Diretor e da Lei de Uso e Ocupação do Solo. É dever de todo munícipe acompanhar, expor sua opinião e cobrar da Prefeitura maior responsabilidade nas questões urbanísticas. Vamos dizer a eles qual modelo de cidade queremos. Definitivamente não é este que as fotos que acompanham essa matéria mostram.

Obs: todas as fotos desta postagem foram capturadas nas redes sociais. Não tenho autoria das mesmas e deixo aqui meus agradecimentos.

Wellington Strabello é geógrafo e professor nas redes pública e particular de Valinhos e Campinas. 

 

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