Servidores afirmam estar há três anos sem reajuste e dois sem sequer serem recebidos pela Prefeitura
Servidores públicos municipais de Louveira completaram, nesta semana, o terceiro dia de greve por tempo indeterminado. A paralisação, iniciada em 23 de abril, marca o esgotamento de uma categoria que afirma ter tentado, sem sucesso, abrir diálogo com a Prefeitura ao longo dos últimos anos.
Organizada pelo SINDLOUV, a mobilização ocorre em frente ao Paço Municipal e reúne trabalhadores de diferentes setores do funcionalismo. O principal ponto de tensão é considerado grave pelos servidores: em 2026, a administração municipal não concedeu sequer a reposição da inflação, ampliando um cenário de perdas acumuladas no poder de compra.
Segundo o sindicato, os servidores estão há pelo menos três anos sem reajuste salarial efetivo. Enquanto isso, o custo de vida segue em alta, realidade que, para a categoria, torna insustentável a continuidade das atividades sem uma resposta concreta do governo municipal.

Reivindicações vão além da reposição inflacionária
A pauta da Campanha Salarial 2026, aprovada em assembleia, inclui uma série de demandas que refletem não apenas a questão salarial, mas também condições de trabalho e valorização profissional. Entre os principais pontos estão:
- Revisão geral anual com reposição da inflação e ganho real;
- Negociação das perdas acumuladas ao longo de quase uma década;
- Aumento do cartão alimentação para R$ 1.800;
- Gratificação natalina no valor do benefício;
- Implantação de plano de cargos, salários e carreiras;
- Revisão do auxílio-transporte;
- Melhoria nas condições de trabalho e fornecimento de materiais;
- Participação efetiva dos servidores nas negociações.
Greve como último recurso
Outro fator que agravou o cenário, segundo os servidores, é a recusa da Prefeitura em receber o sindicato para negociação nos últimos dois anos. Sem canais institucionais abertos, a greve foi adotada como o único instrumento possível de pressão.
A mobilização conta com uma comissão formada por representantes da base, que atuam junto à direção do SINDLOUV na condução do movimento. A avaliação interna é de que a paralisação deve continuar enquanto não houver abertura real de diálogo.
Um recado direto
A greve em Louveira expõe uma realidade comum em diferentes municípios: o distanciamento entre gestão pública e servidores. Para os trabalhadores, o recado é claro: sem valorização, não há serviço público de qualidade.
Enquanto isso, a cidade acompanha os desdobramentos de um impasse que, até agora, segue sem solução.

