Órgão ambiental de Valinhos vai analisar moção de apelo ao Executivo para preservar área de 1,6 milhão de metros quadrados que será leiloada por R$ 90 milhões no próximo dia 1º de julho.
A decisão do Exército Brasileiro de levar a leilão a Fazenda Remonta, uma das mais importantes áreas verdes de Valinhos e região, já provoca reações. O Conselho Municipal do Meio Ambiente (CMMA) convocou uma reunião extraordinária para discutir medidas destinadas à proteção ambiental da área e debater uma manifestação formal ao Poder Executivo Municipal.
O encontro acontecerá no próximo dia 17 de junho, às 8h30, por meio da plataforma Microsoft Teams, e terá como pauta principal a análise de uma “Moção de Apelo ao Poder Executivo Municipal para medidas visando assegurar o patrimônio ambiental da área objeto de alienação através do Edital de Leilão nº 91060/2026, promovido pelo Exército Brasileiro e pela Fundação Habitacional do Exército”.
A iniciativa representa a primeira manifestação institucional do principal órgão ambiental consultivo do município após a divulgação do leilão da Fazenda Remonta, também conhecida como Coudelaria. A área, com aproximadamente 1,6 milhão de metros quadrados, será leiloada no próximo dia 1º de julho, com valor mínimo estipulado em R$ 90 milhões.
A preocupação do Conselho reflete um sentimento que vem ganhando força entre ambientalistas, pesquisadores e parte significativa da população valinhense. Localizada na divisa entre Valinhos e Campinas, a Remonta integra o cinturão verde regional e desempenha papel estratégico na preservação ambiental. Especialistas destacam que a área funciona como uma importante barreira à conurbação, fenômeno que ocorre quando cidades vizinhas acabam se unindo pela ocupação urbana contínua. Sua preservação contribui para manter corredores ecológicos, áreas permeáveis essenciais à infiltração das águas das chuvas e uma cobertura vegetal capaz de amenizar os impactos das mudanças climáticas e do crescimento urbano acelerado.
O receio de muitos moradores é que a venda da propriedade possa abrir caminho para futuros empreendimentos imobiliários em uma região considerada ambientalmente sensível. Em janeiro de 2025, um dos primeiros atos do prefeito Franklin (PL) foi justamente suspender, por decreto, as diretrizes urbanísticas que permitiriam a implantação de um loteamento na área, reconhecendo a necessidade de aprofundar estudos ambientais e hídricos antes de qualquer decisão sobre seu uso futuro.
Agora, diante da iminência do leilão, cresce a preocupação de que essa proteção possa ser revista no futuro. Para muitos defensores da preservação ambiental, a discussão ultrapassa os limites de uma simples negociação patrimonial. O que está em jogo é o destino de uma das últimas grandes áreas capazes de conter a expansão urbana contínua entre Valinhos e Campinas.
A minuta da moção que será analisada pelos conselheiros está sendo elaborada pelo presidente do CMMA, Theophilo Olyntho de Arruda Neto, o Dudu. A expectativa é que o documento expresse oficialmente a preocupação do Conselho e solicite providências do Poder Executivo para garantir a preservação dos atributos ambientais da área.
A reunião será aberta à participação popular. Para evitar problemas de segurança digital, os interessados deverão solicitar acesso até as 10 horas do dia 15 de junho, pelo e-mail casadosconselhos@valinhos.sp.gov.br, informando nome completo, endereço, e-mail e telefone com WhatsApp. O link para participação será enviado pouco antes do início do encontro.
Mais do que discutir o destino de uma propriedade avaliada em milhões de reais, a reunião do CMMA poderá marcar o início de uma mobilização em defesa de uma área considerada estratégica para o equilíbrio ambiental e para o futuro urbano de Valinhos.

