Antonio de Oliveira Lima Júnior sofreu vários infartos em pouco mais de um mês, obteve decisões judiciais favoráveis, mas denuncia que o município ainda não garantiu o tratamento completo considerado essencial para preservar sua vida.
“Eu posso morrer a qualquer momento”
É com essa frase que um morador de Valinhos resume o drama que afirma viver há quase cinco meses. Após sofrer sucessivos infartos e obter três decisões favoráveis da Justiça e, após a realização de uma angioplastia parcial, ele diz continuar aguardando a realização de um novo procedimento cardíaco considerado indispensável pelos médicos para preservar sua vida. Enquanto o tempo passa, a angústia aumenta. Segundo ele, o município ainda não cumpriu integralmente as determinações judiciais.
A história começou em 24 de fevereiro, quando o paciente sofreu o primeiro infarto. Internado, permaneceu cerca de 30 dias no hospital aguardando o agendamento de um cateterismo, exame fundamental para avaliar a extensão das obstruções nas artérias do coração e definir o tratamento adequado. Diante da demora, a família recorreu à Justiça por meio de um mandado de segurança.
A liminar determinou que o procedimento fosse providenciado em até cinco dias. No entanto, segundo os documentos apresentados pelo paciente, o exame foi marcado apenas para 16 de abril, muito além do prazo estabelecido pelo Judiciário. Antes mesmo da data prevista, ele recebeu alta hospitalar.
A espera teve consequências dramáticas. Apenas dois dias depois de voltar para casa, sofreu novos infartos e precisou ser novamente internado. Desde então, afirma conviver diariamente com o medo de um novo episódio cardíaco enquanto aguarda a continuidade do tratamento.
Mesmo após o agravamento do quadro clínico e a concessão de uma segunda decisão judicial, o paciente sustenta que a determinação continua sem ser efetivamente cumprida. Em vídeo encaminhado ao Pé de Figo, ele relata o sentimento de impotência diante da demora e afirma não compreender por que, mesmo com ordens da Justiça, segue sem acesso ao procedimento indicado pelos médicos.
O caso expõe uma situação que vai além do drama individual. Quando uma decisão judicial determina a realização de um tratamento de urgência, espera-se que ela seja imediatamente cumprida, sobretudo quando está em jogo o direito fundamental à vida. Para o paciente, porém, a realidade tem sido outra: enquanto processos tramitam e prazos são descumpridos, o relógio continua correndo contra o seu coração.
A reportagem do Pé de Figo procurou a secretária de Comunicação da Prefeitura de Valinhos em busca de esclarecimentos sobre o caso. A informação recebida foi de que a Secretaria de Comunicação consultaria a Secretaria da Saúde e o Departamento Jurídico para responder aos questionamentos encaminhados. Até o fechamento desta matéria, porém, nenhuma manifestação oficial nos foi enviada. O espaço permanece aberto para que a administração municipal apresente sua versão dos fatos, que será publicada tão logo seja encaminhada.

