Cerca de 40 compradores denunciam venda irregular de terrenos no “Terras de Viena” e cobram resposta das autoridades
Um grupo de cerca de 40 pessoas realizou, neste sábado (25), um protesto no terreno onde deveria estar implantado o loteamento Terras de Viena, na Rua José Roncaglia, bairro São Luiz, em Valinhos. O que se vê no local hoje é o oposto do que foi prometido: nenhuma obra, nenhum lote regularizado — apenas frustração acumulada ao longo de quase duas décadas.
Os manifestantes afirmam ter sido vítimas de um suposto golpe imobiliário. Segundo os relatos, lotes de aproximadamente 300 m² foram vendidos a um número de compradores muito superior à capacidade real da área. Lesados, os adquirentes aguardam há 18 anos pela regularização do empreendimento, tempo suficiente para transformar expectativa em prejuízo e indignação.
De acordo com a representação policial protocolada em novembro de 2025, o caso envolve uma complexa estrutura de contratos e parcerias firmados desde 2007, incluindo empresas e particulares responsáveis pela implantação do loteamento. O documento aponta que o empreendimento nunca foi devidamente aprovado nos órgãos competentes e que processos junto ao GRAPROHAB foram sucessivamente arquivados por falta de cumprimento de exigências técnicas.
Mais grave ainda: a denúncia sustenta que lotes foram vendidos sem registro legal, o que pode configurar crime conforme a Lei Federal nº 6.766/1979. Há também indícios de estelionato, com a venda de unidades em quantidade muito superior ao que seria possível, em um esquema que, segundo os autos, pode ter movimentado mais de R$ 10 milhões ao longo dos anos.
O protesto contou com a presença do vereador Edson Secafim (PL), que orientou os lesados a levarem o caso à Câmara Municipal, ampliando a pressão política por providências. A estratégia agora é tirar o problema do isolamento individual e transformá-lo em pauta pública.
Presente no ato, o editor do Pé de Figo, Heriberto Pozzuto, manifestou solidariedade às vítimas e foi direto ao ponto: “Está mais do que na hora de as autoridades enfrentarem os golpes imobiliários com seriedade e darem uma resposta para quem foi lesado. Por motivação política, os vereadores criaram uma CPI contra uma cooperativa habitacional, enquanto há edifícios e loteamentos inacabados e abandonados na cidade. Empreendedores golpistas, aqui não.”

