Enquanto novos empreendimentos imobiliários surgem em ritmo acelerado em Valinhos, com torres de apartamentos “pipocando” em diferentes regiões, há uma outra paisagem na contramão: a dos prédios abandonados.
Loteamentos irregulares, estruturas inacabadas, parados há anos, expostos ao tempo, acumulando sujeira, mato alto e riscos à saúde pública, e, principalmente, carregando histórias de pessoas que investiram dinheiro e seguem à espera de um imóvel que nunca foi entregue.
Muito além da estética: risco real à população



Os exemplos registrados nas imagens mostram construções que se tornaram verdadeiros problemas urbanos. Além do impacto visual negativo, esses espaços frequentemente viram:
• criadouros do mosquito da dengue
• abrigo para animais peçonhentos, como escorpiões
• pontos de descarte irregular de lixo
• áreas de insegurança
Ou seja, o abandono não é apenas uma questão estética — é também sanitária e de segurança pública.
E quem comprou, ficou com o prejuízo
Por trás de cada obra parada, há histórias pouco visíveis: compradores que pagaram por unidades e aguardam há anos a entrega dos imóveis.
Casos assim podem envolver desde dificuldades financeiras das incorporadoras até possíveis irregularidades contratuais e, em situações mais graves, até indícios de golpe imobiliário.
E a lei? O que pode ser feito
Sim, existe legislação que pode e deveria ser aplicada nesses casos.
• Plano Diretor e Lei de Uso do Solo (municipais): podem estabelecer regras para ocupação, prazos e penalidades para imóveis abandonados
• Código de Posturas Municipal: permite autuação por abandono, falta de limpeza e risco à saúde pública
• IPTU progressivo no tempo (Estatuto da Cidade): imóveis não utilizados ou abandonados podem sofrer aumento progressivo de imposto
• Desapropriação por interesse social: em casos extremos, o município pode retomar o imóvel
O que Prefeitura e Câmara de Vereadores podem fazer
Prefeitura pode:
• notificar e multar proprietários por abandono
• exigir manutenção mínima (limpeza, cercamento, segurança)
• aplicar IPTU progressivo acionar judicialmente responsáveis
Câmara pode:
• fiscalizar o Executivo
• propor leis mais rígidas para obras paradas
• criar mecanismos de transparência sobre empreendimentos
• pressionar por políticas de planejamento urbano
O problema não é invisível: falta resposta
O que mais incomoda moradores não é apenas a existência dessas estruturas, mas a sensação de que não há ação concreta para resolver.
Enquanto isso, a cidade segue crescendo — sem que os problemas do passado sejam enfrentados. E uma pergunta é inevitável: Quantos prédios ainda vão surgir antes que os abandonados tenham solução?

