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“Eu desenvolvi síndrome do pânico”: servidora de Valinhos relata adoecimento ligado ao trabalho

6 de junho de 2026 5 minutos de leitura
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“Eu desenvolvi síndrome do pânico”: servidora de Valinhos relata adoecimento ligado ao trabalho

Após repercussão da reportagem publicada pelo Pé de Figo sobre a nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia a atenção aos riscos psicossociais nos ambientes de trabalho, trouxe à tona uma história que ajuda a compreender como o debate ultrapassa a esfera técnica e atinge diretamente a vida dos trabalhadores.

Thaísa é servidora pública municipal desde 2016, quando prestou concurso público e foi admitida pelo antigo DAEV, que na época era uma autarquia municipal. Nos últimos anos, ocorreu a transformação do DAEV em sociedade de economia mista (S.A.), criando uma situação em que parte dos servidores estatutários permaneceu vinculada à Prefeitura e passou a trabalhar cedida à nova empresa, enquanto outros trabalhadores passaram a ser contratados pelo regime da CLT.

Thaísa procurou a reportagem para relatar a trajetória de adoecimento que atribui a uma combinação de fatores vivenciados ao longo dos últimos anos no ambiente de trabalho.

Segundo ela, o processo começou de forma gradual. Conflitos internos, dificuldades de gestão, distribuição desigual de responsabilidades, sobrecarga de trabalho e situações constantes de tensão teriam contribuído para um desgaste emocional crescente. Posteriormente, a situação se agravou após um episódio de importunação sexual praticado por um colega de trabalho, fato que resultou no registro de boletim de ocorrência e na abertura de procedimento administrativo.

“Com o passar do tempo comecei a apresentar crises de ansiedade, síndrome do pânico, falta de ar, taquicardia, tremores, insônia e sensação constante de medo”, relata.

Desde então, a servidora passou por acompanhamento psicológico e psiquiátrico, recebeu diagnósticos relacionados a transtornos de ansiedade, síndrome do pânico e transtornos adaptativos, além de acumular afastamentos médicos e recomendações de restrição laboral emitidas por profissionais de saúde.

Um dos pontos destacados por ela é a dificuldade para obtenção de uma solução administrativa definitiva que permita o retorno ao trabalho em condições compatíveis com as limitações reconhecidas pelos próprios laudos médicos.

Segundo o relato, a inexistência de uma comissão permanente responsável pela análise de pedidos de readaptação funcional e restrições laborais contribui para prolongar situações de incerteza enfrentadas por servidores adoecidos.

A servidora também informa que foi aberta uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) relacionada ao adoecimento ocupacional, procedimento que ainda aguarda definições administrativas.

“Meu objetivo não é responsabilizar pessoas individualmente. Quero contribuir para uma discussão necessária sobre saúde mental no serviço público e sobre os desafios enfrentados por trabalhadores que adoecem em decorrência do trabalho”, afirma.

Debate ganha força com nova NR-1

O relato surge justamente em um momento em que a atualização da NR-1 coloca os chamados riscos psicossociais no centro das políticas de saúde ocupacional. A norma amplia o conceito tradicional de segurança do trabalho, passando a considerar fatores como pressão excessiva, sobrecarga, conflitos interpessoais, assédio e organização do trabalho como elementos que podem provocar adoecimento.

Em reportagem recente, o Pé de Figo mostrou que a Prefeitura de Valinhos informou possuir Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) elaborado em 2024 e que prepara nova licitação para atualização dos documentos obrigatórios relacionados à Saúde e Segurança do Trabalho.

A discussão, entretanto, levanta uma questão que vai além da existência formal de programas e laudos técnicos: como as administrações públicas estão lidando, na prática, com os servidores que já apresentam sinais de adoecimento?

Enquanto a legislação avança e o tema ganha espaço no debate público, histórias como a de Thaísa revelam que a distância entre a norma e a realidade ainda pode ser um desafio para muitos trabalhadores.

O Pé de Figo está aberto para receber da Prefeitura de Valinhos e da DAEV S/A a manifestação que julgarem pertinente.

TAGGED: DAEV, NR1, Pé de Figo, Prefeitura de Valinhos, Saúde do Trabalho, Sindrome ddo pânico

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Heriberto Pozzuto 6 de junho de 2026 6 de junho de 2026
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