Animal silvestre foi encontrado pendurado entre os fios na manhã desta quarta-feira (9); presença de espécies como ouriços, gambás e saguis em áreas urbanas chama atenção para os riscos enfrentados pela fauna
Quem passou pelo centro de Vinhedo na manhã desta quarta-feira (9) se deparou com uma cena triste: um ouriço-cacheiro morto, pendurado no emaranhado da fiação após sofrer uma descarga elétrica.
Comerciantes da região acionaram a Defesa Civil para a retirada do animal. Até o momento da publicação desta matéria, no entanto, ele ainda permanecia preso aos fios.
A ocorrência chama atenção para uma realidade cada vez mais perceptível nas cidades da região: animais silvestres dividindo espaço com ruas, casas, veículos, redes elétricas e outros elementos de um ambiente urbano que representa inúmeros riscos à fauna.


QUEM É O OURIÇO-CACHEIRO?
Espinhos cobrindo boa parte do corpo, focinho característico e hábitos predominantemente noturnos estão entre as características do ouriço-cacheiro, mamífero roedor também conhecido popularmente como porco-espinho.
Apesar da aparência que pode assustar quem encontra o animal, os ouriços não “atiram” seus espinhos. Eles utilizam essa estrutura principalmente como mecanismo de defesa e, quando não são ameaçados ou manipulados, normalmente procuram se afastar.
Entre agosto e setembro, encontros com animais silvestres podem se tornar mais perceptíveis nas áreas urbanizadas da região, especialmente durante períodos de estiagem.
A redução da disponibilidade de água e alimentos, alterações no habitat e a ocorrência de queimadas estão entre os fatores que podem fazer com que diferentes espécies se desloquem e acabem chegando mais perto das cidades.
FAUNA SILVESTRE ENTRE CARROS, FIOS E CONCRETO
Saguis e gambás também são encontrados com frequência nos centros urbanos da região. Nesses deslocamentos, os animais ficam expostos a atropelamentos, ataques de cães, choques na rede elétrica e outros acidentes.
No caso dos animais arborícolas, a própria fiação pode acabar funcionando como uma espécie de caminho entre árvores e fragmentos de vegetação separados pela urbanização — e é justamente aí que surge o risco de eletrocussão.
A cena registrada nesta quarta-feira no centro de Vinhedo é pequena diante dos grandes problemas ambientais enfrentados pelas cidades, mas carrega um alerta importante.
Segundo o biólogo Thiago Godoi, em entrevista ao G1, entre os motivos que levam esses animais a deixar seus esconderijos estão fatores ambientais, como a estiagem, a busca por alimentos na zona urbana e as queimadas.
Quando um animal silvestre precisa atravessar fios, telhados, avenidas e quintais para continuar seu caminho, natureza e cidade já deixaram de ocupar espaços separados.
E, nessa convivência cada vez mais próxima, quase sempre são os animais que ficam com a parte mais perigosa do percurso.

