Comparação entre 2022 e 2026 mostra crescimento do PL na disputa presidencial e uma arrancada de Tarcísio, que saltou de 53% para 72% dos votos na cidade. Para deputado, porém, eleitor valinhense voltou a privilegiar nomes de fora do município
As urnas deste domingo (4) deixaram alguns recados claros sobre o comportamento do eleitorado de Valinhos. O principal deles é que a preferência pela direita, já demonstrada nas eleições de 2022, não apenas permaneceu como se ampliou em 2026.
Ao mesmo tempo, outro comportamento conhecido voltou a aparecer: na hora de escolher seus representantes para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa, boa parte dos valinhenses preferiu candidatos de projeção estadual ou nacional, deixando as candidaturas da própria cidade longe das primeiras posições.
De Jair a Flávio, PL cresce em Valinhos
Na disputa presidencial, a comparação dos dois primeiros turnos mostra um avanço da candidatura do PL.
Em 2022, Jair Bolsonaro recebeu 40.503 votos em Valinhos, equivalentes a 56,63% dos votos válidos. Lula teve 22.190 votos, ou 31,03%.
Quatro anos depois, Flávio Bolsonaro conseguiu ampliar esse desempenho: recebeu 44.022 votos e chegou a 60,17% dos votos válidos.
Foram 3.519 votos a mais para a candidatura presidencial do PL, além de um crescimento de 3,54 pontos percentuais.
Lula percorreu o caminho inverso. Passou de 22.190 votos em 2022 para 21.448 neste domingo, enquanto sua participação caiu de 31,03% para 29,32%.
Em números absolutos, foram 742 votos a menos; proporcionalmente, uma queda de 1,71 ponto percentual.
O resultado mostra que, pelo menos no primeiro turno, Valinhos tornou-se ainda mais favorável ao campo político representado pelo PL na disputa pela Presidência.
Tarcísio dá salto ainda maior
Se o avanço à direita aparece na eleição presidencial, é na disputa pelo governo de São Paulo que a mudança chama ainda mais atenção.
Tarcísio de Freitas recebeu 34.617 votos em Valinhos no primeiro turno de 2022, alcançando 52,97% dos votos válidos.
Neste domingo, chegou a impressionantes 50.299 votos, ou 72,17%.
Isso representa um crescimento de 15.682 votos e, proporcionalmente, um salto de 19,20 pontos percentuais em apenas quatro anos.
Fernando Haddad, por sua vez, apresentou um comportamento bastante diferente daquele registrado por Lula.
Em 2022, Haddad teve 17.617 votos, ou 26,96%. Agora chegou a 18.879 votos, equivalentes a 27,09%.
Ou seja: mesmo diante do forte crescimento de Tarcísio, Haddad praticamente preservou sua participação no eleitorado valinhense e ainda conquistou 1.262 votos a mais.
O crescimento extraordinário de Tarcísio, portanto, não pode ser explicado simplesmente por uma debandada dos votos de Haddad. Uma parte importante da explicação está na capacidade do governador de absorver, em 2026, votos que quatro anos atrás ficaram com outras candidaturas.
Em 2022, por exemplo, Rodrigo Garcia (PSDB) sozinho havia recebido 10.447 votos em Valinhos, ou 15,99%. Com uma disputa muito mais concentrada em 2026, Tarcísio conseguiu ampliar significativamente sua base.
Para deputado, Valinhos olha para fora
Quando o eleitor passou das disputas majoritárias para a escolha dos deputados, apareceu outra característica importante das urnas valinhenses: o voto local continuou encontrando dificuldades para se impor diante das candidaturas de projeção estadual e nacional.
Para deputado federal, nenhum candidato de Valinhos aparece entre os seis primeiros colocados no município.
Quem liderou com enorme vantagem foi Lucas Pavanato (PL), com 12.955 votos — 18,54% dos votos válidos para o cargo.
Na sequência aparecem:
Erika Hilton (PSOL) — 4.057 votos (5,81%)
Carlos Sampaio (PSD) — 3.475 (4,97%)
Marcos Pereira (Republicanos) — 2.463 (3,52%)
Sâmia Bomfim (PSOL) — 2.107 (3,02%)
Kim Kataguiri (Missão) — 2.088 (2,99%).
O desempenho de Pavanato em Valinhos acompanha um fenômeno verificado em todo o Estado. Ele terminou a eleição paulista com mais de 3 milhões de votos, tornando-se o deputado federal mais votado de São Paulo em 2026.
Kiko e Yoshida rompem parcialmente a barreira local
Na eleição para a Assembleia Legislativa, dois candidatos ligados diretamente a Valinhos conseguiram aparecer entre os mais votados da cidade, embora nenhum tenha alcançado a liderança.
A campeã de votos foi Eduarda Campopiano (PL), com 9.026 votos — 13,13%.
Depois aparecem:
Kiko Beloni (Cidadania) — 5.352 votos (7,79%)
Paulo Mansur (PL) — 2.853 (4,15%)
Marcelo Yoshida (PT) — 2.501 (3,64%)
Mariana Conti (PSOL) — 2.020 (2,94%)
Eduardo Suplicy (PT) — 1.717 (2,50%).
Kiko Beloni e Marcelo Yoshida, portanto, foram os dois candidatos locais que conseguiram entrar no grupo dos mais votados para deputado estadual em Valinhos.
O desempenho de Kiko merece atenção especial. Vereador de Valinhos, ele recebeu 5.352 votos somente no município, ficando em segundo lugar na preferência local para a Assembleia.
Yoshida, também vereador, chegou a 2.501 votos, ocupando a quarta posição.
Os resultados estaduais, entretanto, ajudam a compreender melhor o tamanho do desafio enfrentado pelas candidaturas locais.
Kiko Beloni terminou com 6.698 votos em todo o Estado de São Paulo. Como 5.352 deles foram conquistados em Valinhos, aproximadamente 79,9% de toda a sua votação estadual saiu das urnas do próprio município.
Fora de Valinhos, Kiko recebeu apenas 1.346 votos.
O resultado mostra uma candidatura com forte concentração local: Kiko conseguiu convencer uma parcela importante dos eleitores valinhenses, mas encontrou dificuldades para levar seu nome para outras cidades.
Com Marcelo Yoshida, ocorreu uma situação diferente.
O candidato do PT terminou com 5.704 votos no Estado, dos quais 2.501 foram obtidos em Valinhos. Isso significa que aproximadamente 43,8% de sua votação total veio do município.
Fora de Valinhos, Yoshida conquistou cerca de 3.203 votos — mais do que os 2.501 recebidos dentro da própria cidade.
Os números revelam, portanto, duas situações distintas.
Kiko teve maior força dentro de Valinhos, mas baixa penetração fora do município. Yoshida recebeu menos votos dos valinhenses, porém conseguiu espalhar melhor sua votação por outras cidades paulistas.
Nenhum dos dois, entretanto, alcançou votação suficiente para conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
