EDITORIAL
Um apelo ao prefeito Franklin Duarte e aos vereadores para que suspendam a proposta de extinção da Jazz Sinfônica e abram espaço ao diálogo em defesa da cultura.
A proposta da Prefeitura de revogar a legislação que sustenta o Corpo Musical do Município, já aprovada em primeira discussão pela Câmara Municipal, merece uma reflexão serena e cuidadosa antes de sua votação definitiva marcada para ocorrer na terça-feira, dia 27 de outubro.
Em vez de extinguir a estrutura que sustenta a Orquestra Jazz Sinfônica, Prefeitura e Câmara Municipal têm a oportunidade de ouvir os músicos, dialogar com a sociedade e encontrar alternativas para preservar uma importante conquista cultural da cidade.
Valinhos construiu, ao longo de sua história, uma identidade marcada pelo trabalho, pelas tradições, pela arte e pela cultura. São conquistas que não surgem de um dia para o outro. Exigem dedicação, investimentos e, sobretudo, pessoas dispostas a transformar talento em patrimônio coletivo.
A Orquestra Jazz Sinfônica de Valinhos faz parte dessa construção. Trata-se de um conjunto de músicos que representa uma iniciativa cultural que levou música de qualidade à população, abriu espaços para encontros artísticos e contribuiu para valorizar o nome de nossa cidade.
É compreensível que a administração municipal precise avaliar despesas, estabelecer prioridades e buscar formas de ampliar o acesso da população às atividades culturais. Também é legítimo discutir melhorias no funcionamento da orquestra, sua programação e sua integração com outras iniciativas culturais.
Mas será que extinguir a estrutura que garante sua existência como política pública é o melhor caminho? Os próprios músicos afirmam que não foram previamente consultados sobre a proposta. Relatam dificuldades administrativas, inclusive a ausência de maestro titular desde março, e dizem ter solicitado providências para melhorar o funcionamento da orquestra.
São questões que, antes de justificar uma extinção, poderiam abrir espaço para soluções construídas conjuntamente.
A possibilidade de buscar patrocínios, editais e recursos de incentivo à cultura é importante. Entretanto, esses instrumentos podem complementar o apoio público, sem necessariamente substituir a continuidade institucional que permitiu à orquestra desenvolver seu trabalho.
É nesse espírito que o Pé de Figo faz um apelo ao prefeito Franklin Duarte de Lima e aos vereadores de Valinhos: que considerem a suspensão da tramitação da proposta para permitir um diálogo amplo, transparente e construtivo.
Que os músicos sejam ouvidos. Que a Secretaria de Cultura apresente suas dificuldades e alternativas. Que a Câmara Municipal contribua para encontrar uma solução capaz de conciliar responsabilidade com os recursos públicos e valorização da atividade cultural.
Não se trata de estabelecer um confronto entre Prefeitura, vereadores e artistas. Trata-se de reconhecer que todos compartilham uma responsabilidade maior: cuidar daquilo que Valinhos construiu e deseja preservar para as próximas gerações.
Uma cidade se desenvolve com obras, serviços e investimentos. Mas também cresce quando valoriza seus artistas, preserva sua memória e oferece à população oportunidades de convivência com a música, o teatro, a literatura e as diferentes expressões culturais.
Ainda há tempo para o diálogo. Ainda há tempo para encontrar alternativas. Que a decisão sobre o futuro da Jazz Sinfônica seja resultado de entendimento, sensibilidade e compromisso com a cultura. Porque Valinhos merece continuar ouvindo sua orquestra.
